Em 2025, o país registrou 1.279.498 novos empregos com carteira assinada, resultado mais fraco desde a pandemia, segundo dados oficiais e avaliação do governo
Empregos formais no Brasil cresceram em 2025, mas o saldo foi o pior desde 2020, ano da pandemia, segundo dados do governo federal.
Ao longo do ano, foram registradas milhões de movimentações, com contratações e desligamentos elevados, e o ministério apontou impacto dos juros no ritmo de criação de vagas.
Os números e as avaliações oficiais ajudam a entender por que a criação de vagas ficou abaixo das expectativas, e o que isso pode significar para 2026, conforme informação divulgada pelo g1.
Dados gerais e comparação anual
O Brasil registrou a criação de 1.279.498 novos empregos com carteira assinada em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Esse foi o menor resultado desde 2020, ano em que houve fechamento de vagas formais.
Na série anual divulgada, os números apresentados foram: 2025: 1.279.498, 2024: 1.677.575, 2023: 1.455.279, 2022: 2.014.894, 2021: 2.782.295, 2020: – 189.393.
Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas no ano passado: 26,599 milhões de contratações, 25,320 milhão de demissões.
Impacto dos juros e a avaliação do ministério
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu parte do fraco desempenho ao impacto da alta de juros, lembrando que a taxa Selic chegou a 15% ao ano em 2025.
Marinho declarou, “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento. Mas um processo de diminuição da velocidade. E isso acabou acontecendo”.
O ministro também comentou a influência de medidas externas, mas relativizou seu efeito frente à elevação dos juros, dizendo, “O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço. E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo”.
Setores que mais e menos criaram vagas
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Caged, mostram que houve criação de empregos formais em todos os cinco setores, com destaque para serviços.
As variações setoriais registradas foram: Serviços: 758,3 mil; Comércio: 247,1 mil; Indústria: 144,3 mil; Construção: 87,9 mil; Agropecuária: 41,9 mil.
Segundo técnicos do ministério, segmentos como madeira, móveis e sapatos, com encomendas para os EUA, foram afetados pelas medidas norte-americanas, mas a avaliação do governo é que a maior dificuldade foi a falta de liquidez, em razão do custo elevado do crédito.
Desempenho em dezembro e perspectivas
Historicamente, dezembro registra fechamento de postos, e em dezembro de 2025 foram 618,2 mil vagas encerradas, um aumento em relação a dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram encerrados, segundo os dados oficiais.
Para especialistas e para o governo, a combinação entre juros elevados, efeitos pontuais do chamado tarifaço e questões de liquidez ajuda a explicar o ritmo mais fraco de geração de empregos formais em 2025.
O panorama abre questões sobre a recuperação do mercado de trabalho em 2026, especialmente se houver manutenção da política de juros em patamares altos ou se ocorrer uma melhora no acesso a crédito para empresas.