Ailton Aquino diz que, aplicando técnicas de análise, seria possível comprovar existência ou não dos créditos do Master, enquanto depoimentos e acareação viram públicos
O diretor do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a governança do Banco de Brasília, BRB, deveria ter identificado problemas nos créditos adquiridos do Banco Master.
Segundo Aquino, bastariam técnicas adequadas de análise para verificar se os créditos existiam de fato, o que aponta para falhas de governança e prudência no banco público.
Os vídeos de depoimento e a acareação entre as partes foram divulgados pela Suprema Corte, em meio à apuração da Polícia Federal sobre a operação com as carteiras compradas pelo BRB.
conforme informação divulgada pelo g1
O depoimento de Ailton Aquino à Polícia Federal
Em depoimento prestado em 30 de dezembro, Ailton Aquino disse categoricamente que a governança do BRB deveria ter identificado irregularidades nos ativos comprados do Master.
Ele declarou, literalmente, “Tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas é possível identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB”, conforme os vídeos tornados públicos.
A área de supervisão do Banco Central, afirmou Aquino, encaminhou diversos ofícios ao BRB questionando a origem e a geração dos créditos adquiridos do Master.
O que a investigação da Polícia Federal apura
A Polícia Federal investiga se houve omissão de gestores do BRB e falhas de prudência na compra de carteiras que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco público.
Segundo a apuração, o Master teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamento e, depois, revendido esses ativos ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões, valor que, na investigação, não corresponderia ao real.
Acareação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, tornou públicos os vídeos da acareação entre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Vorcaro afirmou que comunicou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros, e que não sabia, à época, que os papéis eram da Tirreno. Paulo Henrique disse ter recebido a informação de que os créditos foram originados pelo Master.
Na acareação, Vorcaro declarou, “Eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós”, e Paulo Henrique afirmou, “O entendimento que eu coloquei é que eram carteiras originadas pelo Master, negociadas com terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”.
Implicações para o BRB e próximos passos
As declarações do diretor do BC e os vídeos públicos aumentam a pressão por esclarecimentos sobre os processos de due diligence e governança do BRB na aquisição das carteiras.
A investigação deve seguir verificando documentos, comunicações internas e os procedimentos de supervisão, para apurar se houve responsabilização administrativa ou criminal dos envolvidos.
O caso mantém atenção sobre práticas de mercado, riscos de crédito, e a atuação de órgãos reguladores, enquanto o BRB enfrenta questionamentos sobre controles e procedimentos adotados na compra de ativos do Master.