quinta-feira, junho 4, 2026

Ex-presidente do BRB diz à PF que não há clareza de fraude BRB Banco Master nas operações, destaca mudança documental e R$ 12 bilhões envolvidos

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Depoimento do ex-presidente aponta mudança no padrão de originação dos créditos, sem comprovação direta de fraude BRB Banco Master, segundo investigação

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, disse à Polícia Federal que não há clareza de que as operações envolvendo o Banco Master configuraram fraude, e que o que se notou foi uma alteração no padrão documental e na forma de origem dos créditos.

Ele afirmou que os arquivos recebidos pelo BRB indicavam averbações regulares e débitos mensais, e que o banco adotou procedimentos usuais de mercado ao adquirir as carteiras, incluindo registro e envio de informações ao Banco Central.

As informações constam em depoimento à PF e fazem parte das apurações sobre operações entre BRB e Banco Master, conforme informação divulgada pelo g1

O que disse o ex-presidente do BRB

Paulo Henrique declarou, em depoimento, que “A gente não tem clareza até hoje que isso foi uma fraude. O que a gente percebeu foi uma mudança de padrão documental e de originação do crédito“. Segundo ele, o volume da operação era elevado, envolvendo cerca de R$ 12 bilhões, aproximadamente 400 mil CPFs e cerca de 1 milhão de contratos.

Ele acrescentou que, ao identificar o padrão documental distinto, o BRB ampliou auditorias, comunicou o Banco Central e exigiu garantias, além de substituir ativos. Paulo Henrique afirmou que cerca de R$ 10,5 bilhões já haviam sido substituídos, restando aproximadamente R$ 2,5 bilhões, e que o banco mantinha cerca de R$ 9 bilhões em garantias constituídas.

Posição e ações do Banco Central

O diretor do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou à Polícia Federal que “a governança do BRB deveria ter sido capaz de identificar se os créditos adquiridos existiam ou não” e que a aplicação de técnicas adequadas permitiria essa verificação, apontando falhas nos mecanismos de governança do banco público.

Em nota, o Banco Central lembrou que tem “obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez das instituições financeiras e monitorar riscos para preservar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional“, mas ressaltou que cabe a cada instituição a responsabilidade exclusiva pela análise da qualidade dos créditos que adquire e pela manutenção de controles internos.

Acareação e versões divergentes

No fim de dezembro, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique prestaram acareação na PF e apresentaram versões diferentes sobre a origem das carteiras vendidas ao BRB. Vorcaro afirmou que informou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros e disse não ter conhecimento de que os papéis vendidos eram da empresa Tirreno na época.

Paulo Henrique, por sua vez, afirmou que o entendimento do BRB era de que se tratava de créditos originados pelo próprio Master, que foram negociados com terceiros e, depois, revendidos ao banco público. Vídeos da acareação foram divulgados pelo portal Poder360 e, posteriormente, tornados públicos por decisão do ministro Dias Toffoli, do STF.

O que a Polícia Federal investiga

A PF apura se houve omissão dos gestores do BRB e falhas nos métodos de prudência e governança na aquisição das carteiras, que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco público, segundo a investigação.

As apurações questionam se o Banco Master teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025, se comprou créditos da Tirreno sem pagamento e, em seguida, revendeu esses ativos ao BRB, que desembolsou cerca de R$ 12 bilhões. A investigação foca em determinar responsabilidades administrativas e penais relacionadas à possível fraude BRB Banco Master e às deficiências de controle interno.

O caso segue em investigação, com solicitações de documentos e depoimentos para esclarecer se houve irregularidades na origem dos créditos e nas decisões de governança que permitiram a compra das carteiras.

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