Nomeação do presidente do Fed, com Kevin Warsh como principal hipótese, gera queda em índices, alta do dólar e avanço dos rendimentos, investidores avaliam impacto na política de juros
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deve anunciar nesta sexta-feira o novo presidente do Fed, alimentando especulações sobre a direção da política monetária americana.
A Bloomberg informou que o nome cotado é o de Kevin Warsh, ex-governador do banco central americano, após ele se reunir com Trump na Casa Branca nesta quinta-feira.
Os desdobramentos provocaram reação imediata nos mercados globais, com movimentação em ações, moedas e títulos, conforme informação divulgada pelo g1.
Reação imediata dos mercados
A possibilidade de Kevin Warsh assumir o comando do Fed causou queda em índices na Ásia e recuos em futuros nos EUA. O índice mais amplo da MSCI para ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, caiu até 1,3%, registrando a maior queda diária no último mês, enquanto em Hong Kong o índice de empresas chinesas recuou 2,1% e o Nikkei 225, no Japão, caiu 0,1%.
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 recuaram 0,4% e os do Nasdaq caíram 0,5%. O índice do dólar subiu 0,3%, para 96,481, revertendo uma recente fraqueza, e o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos avançou 4,0 pontos-base, para 4,265%.
Probabilidades e mercados de aposta
Plataformas de aposta refletiram o movimento, com a probabilidade implícita de Warsh ser escolhido saltando de 35% para 92% no mercado Polymarket. Outras plataformas, como Polymarket e Kalshi, chegaram a atribuir chances superiores a 80% ao ex-governador.
Com a especulação, commodities e ativos de risco também foram afetados, o ouro caiu 3,7%, a prata despencou 6%, o petróleo Brent recuou 1,4% e o Bitcoin caiu 2,7%.
Perfil de Kevin Warsh e implicações para a política monetária
Kevin Warsh, que já integrou o Conselho de Governadores do Fed, é visto como um defensor de taxas de juros mais baixas, mas também como uma opção mais moderada entre os nomes cogitados. Ele defende um balanço patrimonial menor para o Fed, o que o tornaria mais cauteloso em relação a estímulos monetários agressivos.
Segundo reportagens, além de Warsh outros nomes chegaram a ser considerados, como Rick Rieder, da BlackRock, o atual governador Christopher Waller e o conselheiro econômico Kevin Hassett, mas Warsh emergiu como o principal candidato nesta quinta-feira.
Relação entre Trump e o Fed
Trump vem pressionando o banco central a reduzir drasticamente os juros, apesar de cortes realizados e da manutenção atual da taxa. O Fed cortou as taxas três vezes em 2025 e manteve a faixa de juros em 3,50% a 3,75% após sua última reunião.
O presidente chegou a criticar publicamente Jerome Powell, afirmando que o então presidente do Fed não tinha motivo para manter os juros tão elevados, chamando-o de “idiota” e dizendo que estava “prejudicando o país e a segurança nacional”. Trump afirmou, traduzido, que “Ele está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessários e injustificadas”, e defendeu que as taxas deveriam ser as “menores do mundo”.
Powell tem mandato como membro do Conselho de Governadores até 2028, e a tentativa de influenciar a nomeação reflete tensões sobre a independência do banco central, considerada crucial para o controle da inflação.
O que observar a seguir
O anúncio oficial do novo presidente do Fed deve esclarecer a direção da política monetária e pode reduzir a volatilidade, caso o nome seja confirmado, ou aumentá‑la se surgirem dúvidas sobre a independência do banco central. Investidores devem acompanhar o comunicado presidencial, declarações de Warsh, se confirmado, e os comentários dos membros do Fed nos dias subsequentes.
Informações adicionais foram obtidas junto à Reuters e à Bloomberg, citadas nas apurações relatadas pelo g1.