quinta-feira, junho 4, 2026

100 municípios concentram 77,6% da arrecadação nacional, entenda por que São Paulo lidera com R$ 581,2 bilhões e o que a reforma tributária pode mudar

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Levantamento do IBPT mostra alta concentração da arrecadação em 100 municípios, que abrigam 36,4% da população, e aponta impacto da mudança da cobrança para o destino

Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, IBPT, revela que 100 municípios concentraram 77,6% de toda a arrecadação tributária do país em 2024, apesar de somarem apenas 36,4% da população brasileira.

Segundo o documento, essas 100 cidades recolheram mais de R$ 1,9 trilhão no ano, com destaque para São Paulo, que liderou com R$ 581,2 bilhões, o equivalente a 23,1% do total nacional.

Os dados detalhados e o ranking foram obtidos em primeira mão pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.

Concentração da arrecadação e principais números

A forte concentração ocorre principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde há maior presença de indústrias, comércio e prestadores de serviços, o que eleva a arrecadação mesmo em municípios com população menor.

O levantamento do IBPT, com base em informações do banco de dados da Receita Federal, contabiliza as receitas administradas pelo Fisco referentes a 2024.

Entre os números mais relevantes estão, além dos já citados, a participação dos 100 municípios em relação ao total nacional, 77,6%, e o fato de que essas cidades reúnem apenas 36,4% da população do país, cenário que reflete concentração econômica e produtiva.

Os 10 municípios que mais arrecadaram em 2024

O ranking aponta, na sequência, os municípios que mais captaram tributos em 2024, com os valores informados pelo IBPT, obtidos pelo g1: São Paulo, R$ 581,2 bilhões, Rio de Janeiro, R$ 306,9 bilhões, Brasília, R$ 180,1 bilhões, Belo Horizonte, R$ 54,7 bilhões, Osasco, R$ 50,2 bilhões, Curitiba, R$ 44,5 bilhões, Barueri, R$ 36,5 bilhões, Porto Alegre, R$ 33,7 bilhões, Itajaí, R$ 27,1 bilhões, Campinas, R$ 26 bilhões.

Em termos de arrecadação per capita, o destaque foi Barueri, em São Paulo, com R$ 110,4 mil por pessoa no ano, enquanto São Paulo, apesar de liderar a arrecadação total, ficou na 12ª posição no ranking per capita, com R$ 48.854,61.

O que diz o IBPT sobre as causas e citações

O presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, explica a lógica por trás da concentração, afirmando, “Existem municípios que, mesmo com menor população, ainda registram uma arrecadação muito elevada por conta da concentração de indústrias, comércio e prestadores de serviços”.

Olenike também observa que “Mesmo regiões que se destacam em setores como o turismo ainda não têm arrecadação suficiente para se equiparar ao que vemos no Sul e no Sudeste”.

Impacto esperado da reforma tributária

O relatório do IBPT ressalta que a reforma tributária deve alterar a forma de cobrança dos impostos, passando do critério da origem para o critério do destino, onde ocorre o consumo, o que tende a favorecer municípios mais populosos.

Sobre essa mudança, Olenike afirma, “Isso não deve acontecer de forma imediata, mas a expectativa é que, com a mudança na tributação, os municípios que recebem as mercadorias passem a ter mais destaque na arrecadação”.

Ele acrescenta que, “Nesse caso, o Norte e o Nordeste atualmente compram mais produtos de outras regiões do que vendem e devem ver alguma mudança nesse ranking com a reforma tributária”.

Distribuição regional dos 100 municípios

O levantamento mostra também a distribuição regional desses municípios, com predominância do Sudeste, que reúne 53 das 100 cidades, seguido pelo Sul com 26, pelo Nordeste com 12, Centro-Oeste com 6, e Norte com 3.

No Sudeste, os 53 municípios se dividem entre São Paulo com 36, Minas Gerais com 9, Espírito Santo com 4 e Rio de Janeiro com 4. No Sul aparecem 12 municípios de Santa Catarina, 7 do Rio Grande do Sul e 7 do Paraná. No Nordeste há municípios em Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí. No Centro-Oeste estão Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e no Norte constam Amazonas, Pará e Rondônia.

O levantamento do IBPT, detalhado e com o ranking completo, permite entender como a estrutura produtiva e comercial do país influencia a arrecadação atual, e como a reforma tributária pode redistribuir receitas entre municípios, conforme informação divulgada pelo g1.

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