Levantamento do IBPT aponta que 100 municípios, com 36,4% da população, somaram mais de R$ 1,9 trilhão em arrecadação de tributos em 2024, confira os números
Um levantamento sobre arrecadação de tributos mostra forte concentração em poucas cidades, e revela quem são os maiores contribuidores do país em 2024.
Os dados destacam diferenças regionais e internas entre arrecadação total e arrecadação per capita, apontando onde estão os principais polos industriais e comerciais.
Os números e as análises a seguir foram obtidos a partir de estudos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, conforme informação divulgada pelo g1.
Principais números e ranking
Os 100 municípios com maior arrecadação de tributos no Brasil concentram 77,6% do total recolhido no país, embora abriguem pouco mais de um terço (36,4%) da população brasileira, conforme o levantamento do IBPT. Segundo o documento, esses municípios arrecadaram mais de R$ 1,9 trilhão no ano.
Entre as cidades que mais recolheram tributos em 2024 estão, nas primeiras posições, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Osasco. Dados do estudo registram o seguinte ranking dos 10 maiores valores arrecadados:
São Paulo (SP): R$ 581,2 bilhões
Rio de Janeiro (RJ): R$ 306,9 bilhões
Brasília (DF): R$ 180,1 bilhões
Belo Horizonte (MG): R$ 54,7 bilhões
Osasco (SP): R$ 50,2 bilhões
Curitiba (PR): R$ 44,5 bilhões
Barueri (SP): R$ 36,5 bilhões
Porto Alegre (RS): R$ 33,7 bilhões
Itajaí (SC): R$ 27,1 bilhões
Campinas (SP): R$ 26 bilhões
Distribuição regional e arrecadação per capita
A concentração ocorre principalmente no Sul e no Sudeste, onde se localizam a maioria dos polos industriais e comerciais responsáveis por grandes volumes de arrecadação.
Na divisão por região e estado, o estudo aponta, entre outros totais, Região Sudeste, total de 53 municípios, incluindo São Paulo (SP): 36 municípios, Minas Gerais (MG): 9 municípios, Espírito Santo (ES): 4 municípios, Rio de Janeiro (RJ): 4 municípios. Região Sul, total de 26, com Santa Catarina (SC): 12, Rio Grande do Sul (RS): 7, Paraná (PR): 7. Região Nordeste, total de 12, com Bahia (BA): 3, Pernambuco (PE): 2, Ceará (CE): 1, Maranhão (MA): 1, Alagoas (AL): 1, Sergipe (SE): 1, Paraíba (PB): 1, Rio Grande do Norte (RN): 1, Piauí (PI): 1. Região Centro-Oeste, total de 6 municípios, com Goiás (GO): 3, Distrito Federal (DF): 1, Mato Grosso (MT): 1, Mato Grosso do Sul (MS): 1. Região Norte, total 3 municípios, com Amazonas (AM): 1, Pará (PA): 1, Rondônia (RO): 1.
Em arrecadação per capita o destaque é Barueri (SP), que arrecadou R$ 110,4 mil por pessoa no ano. São Paulo, que lidera o ranking geral, ficou na 12ª posição entre os municípios com maior arrecadação per capita, com R$ 48.854,61, abaixo de Itajaí, Osasco e Brasília.
Sobre essa concentração, o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, observa, “Existem municípios que, mesmo com menor população, ainda registram uma arrecadação muito elevada por conta da concentração de indústrias, comércio e prestadores de serviços”, e acrescenta, “Mesmo regiões que se destacam em setores como o turismo ainda não têm arrecadação suficiente para se equiparar ao que vemos no Sul e no Sudeste”.
Mudanças esperadas com a reforma tributária
O estudo também avalia o efeito potencial da reforma tributária, que altera a forma de cobrança dos tributos de origem para destino, o que pode redistribuir receitas para municípios mais populosos, com maior consumo.
Olenike afirma, “Isso não deve acontecer de forma imediata, mas a expectativa é que, com a mudança na tributação, os municípios que recebem as mercadorias passem a ter mais destaque na arrecadação”. Ele completa, “Nesse caso, o Norte e o Nordeste atualmente compram mais produtos de outras regiões do que vendem e devem ver alguma mudança nesse ranking com a reforma tributária”.
O que esses números indicam para políticas públicas
A forte concentração de arrecadação em 100 cidades mostra desafios para a distribuição de recursos e para o desenho de políticas que promovam desenvolvimento regional mais equilibrado.
Alterações na regra de cobrança podem reduzir desigualdades internas, mas a transição tende a ser gradual, e requer acompanhamento dos impactos sobre estados e municípios que hoje dependem de receitas geradas por atividades localizadas.