Nomeado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, Kevin Warsh é economista e jurista, ex-membro do Conselho do Fed entre 2006 e 2011, com carreira entre governo, academia e setor privado
Kevin Warsh foi anunciado por Donald Trump como escolhido para chefiar o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, em substituição a Jerome Powell.
Veterano do sistema financeiro e com experiência no governo, Warsh terá de passar pelo crivo do Senado para assumir oficialmente a presidência do Fed.
A indicação reacende o debate sobre o papel do banco central, dado o histórico de Warsh na política monetária e sua ligação com Wall Street, conforme informação divulgada pelo g1.
Formação e início da carreira
Kevin M. Warsh nasceu em Albany, no estado de Nova York, e estudou políticas públicas em Stanford, com foco em economia e estatística.
Em seguida, concluiu direito em Harvard, onde se aprofundou na relação entre direito, economia e regulação, e fez cursos complementares na Harvard Business School e no MIT.
No mercado financeiro, Warsh trabalhou por sete anos no banco Morgan Stanley, atuando em fusões e aquisições e em operações de mercado de capitais.
No Conselho do Federal Reserve e a crise de 2008
Warsh integrou o Conselho de Governadores do Federal Reserve entre 2006 e 2011, período que inclui a crise financeira global de 2008.
Nomeado pelo presidente George W. Bush, ele se tornou o membro mais jovem da história do conselho, aos 35 anos, e atuou como emissário do Fed em fóruns internacionais, como o G20.
Durante a crise, Warsh participou da condução da política monetária e ganhou visibilidade por discursos que tratavam dos desafios do sistema financeiro, como “O Fim da História?” e “A Taxa dos Fundos Federais em Tempos Extraordinários”.
Trajetória pós-Fed e vínculos com o setor privado
Ao deixar o Fed em 2011, Warsh passou a atuar entre a academia e o mercado financeiro, sendo pesquisador visitante no Instituto Hoover da Universidade de Stanford e professor na escola de negócios da mesma universidade.
Ele também se tornou sócio-consultor da gestora Duquesne Family Office, ligada ao investidor Stanley Druckenmiller, e integrou conselhos de empresas como United Parcel Service, UPS, e a plataforma Coupang.
Além disso, Warsh participa de fóruns e painéis econômicos, como o Grupo dos Trinta, e do painel de consultores do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA.
O que a indicação significa e os próximos passos
A escolha de Kevin Warsh sinaliza a intenção da Casa Branca de nomear alguém com profundo conhecimento técnico de mercados e política monetária, e que transita entre governo e setor privado.
Para assumir, o indicado precisará ser confirmado pelo Senado, processo que pode trazer debates sobre sua experiência na crise de 2008 e seus vínculos com Wall Street.
Se confirmado, Warsh herdará do Fed desafios como a estabilidade financeira, a trajetória da inflação e a definição das taxas de juros, temas nos quais construiu reputação nos últimos anos.