Desde março de 2025, a disputa entre Trump versus Powell escalou entre ataques por juros, declarações públicas e a investigação criminal do DOJ, com Kevin Warsh como nome apontado
O relacionamento entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, virou foco de atenção pública em 2025, por conta de críticas abertas e posicionamentos sobre política monetária.
Trump pressionou por cortes agressivos nas taxas de juros, enquanto Powell reafirmou a independência do Fed e disse que as decisões dependeriam dos dados econômicos.
Os episódios culminaram na abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça contra Powell, e na indicação anunciada por Trump de Kevin Warsh para a presidência do Fed, conforme informação divulgada pelo g1.
Pressões iniciais e encontros, março a junho de 2025
No primeiro semestre de 2025, Trump cobrou publicamente que o Fed reduzisse os juros para estimular a economia, afirmando que o banco estaria “muito melhor se cortasse as taxas”. Em março, criticou a manutenção dos juros, e em abril, no chamado “Dia da Libertação”, defendeu que juros menores ajudariam a lidar com novas tarifas de importação.
Em maio, no primeiro encontro presencial na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir as taxas. Powell respondeu que as decisões de política monetária dependeriam apenas de dados econômicos e reafirmou que o Fed age “conforme determina a lei, isento de influência política”.
Escalada verbal e confrontos públicos, julho a novembro de 2025
Ao longo do segundo semestre de 2025, as críticas se tornaram mais pessoais. Trump usou termos como “burro” e “teimoso” em redes sociais, chamou Powell de “estúpido” e “cabeça oca” em julho, e o rotulou de “chefe incompetente do Fed” em outubro.
Em novembro, a Casa Branca disse que Powell era uma “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação estava acima da meta. Em resposta, Powell, em audiências públicas, manteve tom institucional, ressaltando que “não precisamos ter pressa” para reduzir juros devido à incerteza inflacionária.
Investigação do DOJ e resposta de Powell, janeiro de 2026
Em janeiro de 2026, o conflito ganhou novo capítulo com a abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.
No dia 11 de janeiro de 2026, Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell, dizendo que “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”. Powell, em vídeo, acusou o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política e afirmou que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.
Manutenção de juros, nova crítica e a indicação de Kevin Warsh
Após o Fed manter a taxa entre 3,50% e 3,75% em janeiro de 2026, Trump intensificou as críticas, chamando Powell de “idiota” e afirmando que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”, e que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.
No dia 30 de janeiro de 2026, Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, e apontou o economista Kevin Warsh como principal cotado. A indicação representa um novo capítulo na disputa, que combina críticas sobre taxas de juros, defesa da independência do Fed e desdobramentos jurídicos.