Trump diz que Irã quer acordo e anuncia prazo, enquanto Teerã repete que aceita diálogo, mas não renuncia às suas capacidades de Defesa
O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Irã busca um acordo, e que ele mesmo definiu um prazo para uma resposta, sem detalhar datas ou ações adicionais.
Do lado iraniano, autoridades dizem estar prontas para negociar, mas deixam claro que não renunciarão ao seu programa nuclear e à capacidade de defesa do país.
As declarações foram divulgadas em meio a ameaças mútuas e movimentação militar na região, conforme informação divulgada pelo g1.
O que Trump disse na Casa Branca
Questionado por jornalistas na Casa Branca sobre a escalada de tensões dos últimos dias com o governo iraniano, Trump afirmou, “Posso dizer isto: eles querem chegar a um acordo. Eu fixei um prazo, mas só eles sabem com certeza qual”.
Ao ser perguntado se pretendia repetir ações adotadas na Venezuela, ele se negou a detalhar planos militares, e disse, “Não quero falar de nada que tenha a ver com meus planos militares. Mas contamos com uma frota extremamente poderosa naquela região, ainda maior do que na Venezuela”.
Em postagem em rede social, Trump também relembrou uma operação anterior e ameaçou nova ação, escrevendo, “Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares – um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, façam um acordo! Eles não fizeram e houve a “Operação Martelo da Meia-Noite”, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”.
Posicionamento e condições do Irã
Conforme declarações de autoridades iranianas, o país se diz disposto ao diálogo, mas com condições. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou, “O Irã acolhe o diálogo e não busca a guerra”, e ressaltou que, se atacado, “responderá imediata e decisivamente a qualquer agressão”.
O chanceler Abbas Araqchi, em visita à Turquia, disse estar preparado para negociações, mas exigiu conversas “justas e equitativas” e afirmou que o governo iraniano não abrirá mão de manter e expandir suas capacidades de Defesa.
As capacidades citadas estão ligadas ao programa nuclear, alvo de acusações de Washington, enquanto Teerã afirma que sua tecnologia nuclear serve apenas para proteção, e tem limitado inspeções da agência da ONU responsável pelo tema.
Riscos de escalada e medidas na região
Autoridades iranianas advertiram para uma resposta contundente a qualquer ataque. Um alto funcionário, Ali Shamkhani, declarou que “Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA , de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra , e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor”.
Em resposta a decisões recentes da União Europeia, o Irã também ameaçou medidas contra países europeus, enquanto a Guarda Revolucionária anunciou exercícios com munição real no Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de petróleo.
Contexto mais amplo e possíveis desdobramentos
O clima de tensão inclui ainda relatos sobre opções militares em estudo pelos EUA, que, segundo reportagem, vão de bombardeios a operações especiais encobertas dentro do Irã, e até a possibilidade de mudança de regime, embora nenhuma decisão final tenha sido anunciada.
Os episódios ocorrem em meio a protestos internos no Irã, cuja repressão, segundo ativistas, já teria deixado pelo menos 6.159 pessoas mortas até o momento.
Com ambos os lados afirmando disponibilidade para diálogo, a negociação depende agora de prazos, confiança e condições, enquanto a retórica e movimentação militar mantêm o risco de escalada na região.