quinta-feira, junho 4, 2026

Por que o dólar atingiu a maior baixa em 4 anos, pode cair mais e quais os riscos para preços, exportações e o papel global da moeda

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Queda do dólar, de cerca de 3% em uma semana e recuo de quase 10% em 2025, reacende dúvidas sobre inflação, políticas dos EUA e se a moeda continuará perdendo valor

O dólar chegou ao menor patamar em quatro anos frente a uma cesta de moedas e recuou fortemente contra o euro e a libra.

Movimentos recentes no mercado, reações a medidas políticas e apostas de investidores explicam parte da queda, mas há incerteza sobre a duração do movimento.

Esta reportagem resume causas, efeitos e previsões, conforme informação divulgada pelo g1

O que levou o dólar a cair

O índice do dólar registrou um declínio acentuado no ano passado, com queda de quase 10%, o pior desempenho desde 2017.

Nas últimas semanas, a moeda caiu cerca de 3% em cerca de uma semana, em meio a episódios políticos e tensões comerciais que mudaram a percepção dos investidores.

Analistas apontam para três vetores principais: a incerteza sobre políticas do governo americano, movimentos de mercado favorecendo ativos fora dos EUA, e operações no mercado de títulos que abriram apostas contra o dólar.

Como resume Chris Turner, chefe global de pesquisa do ING, “A maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano“, segundo divulgação citada pelo g1.

Por que políticas e eventos afetaram a confiança

Especialistas citam a natureza errática de anúncios e reações políticas como fator de tensão no mercado. Robin Brooks, do Instituto Brookings, afirma, “Na minha opinião, os mercados estão reagindo à natureza meio que irregular das políticas deste governo, as escaladas e atenuações“.

Para Brooks, o recuo do dólar “é basicamente um reflexo dos mercados, dizendo que estas idas e vindas caóticas prejudicam os Estados Unidos, mais do que qualquer outra coisa“.

Além disso, movimentos como a discussão sobre tarifas de importação e conflitos diplomáticos com a Europa e outros países ampliaram a aversão ao risco relativa ao dólar.

Impacto sobre consumidores, inflação e empresas

Um dólar mais fraco reduz o poder de compra dos americanos para bens importados, algo já sentido por turistas e importadores.

Analistas alertam que, se o movimento se mantiver, pode pressionar a inflação interna nos EUA, por meio de preços mais altos de produtos importados.

Ao mesmo tempo, um dólar desvalorizado pode beneficiar exportadoras americanas, tornando seus produtos mais competitivos no exterior, por isso parte do governo enxerga a queda como positiva.

Previsões, reação do mercado e para onde vai o dinheiro

Algumas instituições, como o ING, estimam que o dólar pode cair mais 4% a 5% este ano, à medida que melhora a perspectiva de crescimento fora dos Estados Unidos.

Investidores deslocaram recursos para ativos como ouro, cuja cotação “dobrou no ano passado“, e para moedas europeias e de mercados emergentes, parte do realinhamento global de portfólios.

Por ora, a saída de capitais parece concentrada na moeda, mais do que em vendas em massa de ativos americanos, já que o mercado acionário dos EUA ainda mostrou força em muitos trechos.

O futuro do dólar dependerá do ritmo de corte de juros pelo Federal Reserve, das decisões do governo americano e da reação dos investidores a novas notícias políticas e econômicas.

Fontes: dados e declarações coletados e compilados, conforme informação divulgada pelo g1

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