Queda de 3% em cerca de uma semana, índice em queda de quase 10% em 2025, e sinais de que a fraqueza do dólar pode se prolongar segundo bancos e estrategistas
O dólar atingiu o seu ponto mais baixo em quatro anos, com perdas rápidas frente a uma cesta de moedas e quedas marcantes ante o euro e a libra.
A fraqueza da moeda reacendeu dúvidas sobre custos de importação, inflação interna e o papel do dólar no sistema financeiro global.
Os parágrafos a seguir explicam as causas imediatas, os principais riscos e o cenário traçado por analistas e instituições, conforme informação divulgada pelo g1.
O que aconteceu com o dólar
Nas últimas semanas o dólar caiu de forma acelerada, chegando ao “seu ponto mais baixo dos últimos quatro anos” em relação a uma cesta de moedas, segundo reportagem citada pelo g1.
O texto descreve que a moeda “atingiu o nível mais baixo de muitos anos em comparação com o euro e a libra esterlina, caindo 3% em cerca de uma semana”. No balanço de 2025, o índice do dólar “caiu em quase 10%”, sendo apontado como “o pior desempenho desde 2017”.
Grande parte dessa perda ocorreu após eventos como o chamado “Dia da Libertação” em 2 de abril de 2025, com anúncio de tarifas de importação do presidente Donald Trump, e, mais recentemente, com tensões entre EUA e Europa sobre a Groenlândia.
Por que a moeda está caindo
Analistas citados pelo g1 apontam que a queda reflete, em parte, preocupações do mercado com as políticas do governo americano e com a volatilidade das decisões, além de movimentos técnicos e fluxos de investimento internacionais.
Chris Turner, chefe global de pesquisa de mercados financeiros do grupo ING, afirmou que “A maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano”.
Robin Brooks, do Instituto Brookings, disse que “Na minha opinião, os mercados estão reagindo à natureza meio que irregular das políticas deste governo, as escaladas e atenuações” e que o declínio do dólar “é basicamente um reflexo dos mercados, dizendo que estas idas e vindas caóticas prejudicam os Estados Unidos, mais do que qualquer outra coisa”.
O estrategista Thierry Wizman, do grupo Macquarie, avaliou que a escalada das tensões comerciais e geopolíticas “Acho que isso desencorajou as pessoas”. Outros fatores citados incluem oportunidades de investimento fora dos EUA e vendas no mercado japonês de títulos, que alteraram apostas entre iene e dólar.
Impactos para consumidores e mercados
Um dólar mais fraco reduz o poder de compra dos americanos, especialmente para viagens e bens importados, e existe o risco de que preços mais altos de importados alimentem a inflação interna nos Estados Unidos.
Investidores buscaram refúgio em ativos como o ouro, cuja cotação “dobrou no ano passado”, conforme aponta a reportagem. Paralelamente, o euro e a libra se valorizaram em janeiro, e moedas de 11 entre 19 mercados emergentes acompanhadas pela Oxford Economics avançaram mais de 1%.
A saída de fundos do mercado americano também se manifestou em decisões de grandes investidores, como fundos de pensão da Holanda e da Dinamarca reduzindo posições em títulos do Tesouro dos EUA, mas o mercado acionário americano segue em níveis elevados.
O que pode vir a seguir
O futuro do dólar depende de fatores econômicos e de política monetária, em especial do ritmo de cortes de juros pelo Federal Reserve. Se os juros caírem, a moeda pode ter nova desvalorização à medida que investidores busquem retornos maiores no exterior.
O texto cita ainda expectativas do ING, que espera que o dólar “caia mais 4% a 5% este ano”, à medida que crescem as perspectivas de recuperação e crescimento fora dos Estados Unidos.
No plano político, a Casa Branca tem mostrado preferência por uma moeda mais fraca, que pode ajudar exportações. O presidente Trump declarou que “Não parece bom, mas você ganha muito mais dinheiro com um dólar mais fraco… do que com um dólar forte”.
Na esfera institucional, a indicação de Kevin Warsh para chefiar o Federal Reserve foi anunciada com elogios do presidente, “Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Ele é perfeito para o papel e nunca decepciona”. A nomeação ainda precisa passar pelo Senado, e terá impacto nas expectativas de política monetária.
Em resumo, a queda recente do dólar tem causas combinadas, inclui efeitos de política, fluxos financeiros e eventos geopolíticos, e vários analistas acreditam que a fraqueza pode continuar, com risco de impacto sobre preços e mercados globais.