quinta-feira, junho 4, 2026

Ibovespa dispara 12,56% em janeiro, registra terceira maior alta mensal desde 2010 e ganha fôlego com entrada de estrangeiros, juros e incertezas eleitorais

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Ganho de 12,56% no mês, 42,90% em 12 meses, entrada de R$ 8,7 bilhões por investidores estrangeiros em janeiro, e expectativa de cortes de juros moldam cenário do Ibovespa para 2026

O principal índice da bolsa brasileira teve um mês de janeiro atípico, com operações e fluxos externos empurrando o mercado para cima.

Analistas apontam fatores domésticos e internacionais que explicam a alta e que podem manter a trajetória positiva, embora com volatilidade ao longo do ano.

Todas as informações a seguir são, em parte, baseadas em dados e declarações reproduzidos conforme informação divulgada pelo g1.

O que explicou a alta expressiva em janeiro

Com valorização de 12,56% em janeiro, o Ibovespa registrou sua terceira maior alta mensal desde 2010, ficando atrás apenas de março de 2016, com +16,97%, e de novembro de 2020, com +15,90%.

Além do ganho no mês, o índice acumula valorização de 42,90% em 12 meses, um movimento sustentado por dois vetores principais, juros e fluxo internacional.

O Banco Central sinalizou redução da Selic a partir de março, e a projeção de mercado é que a taxa caia 2,75 pontos percentuais até o fim de 2026, passando de 15% para 12,25% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve já reduziu o custo do dinheiro em 2025, com cortes que deixaram o referencial na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o que torna ativos de mercados emergentes mais atraentes.

Entrada de estrangeiros e percepção de oportunidade

A presença de capital externo foi determinante para o desempenho recente da bolsa. Segundo levantamento citado, “Em 2025, investidores não residentes no Brasil aplicaram R$ 25,4 bilhões em compras líquidas na bolsa de valores brasileira” e, “Em 2026, até 20 de janeiro, esses investidores já somam R$ 8,7 bilhões líquidos em compras de ações brasileiras”.

Para estrategistas, esse fluxo mostra que, com títulos internacionais oferecendo menor retorno, o Brasil aparece como alternativa por ações estarem relativamente baratas e pela expectativa de juros menores no exterior.

O economista André Galhardo sintetiza a lógica, afirmando que, “Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança”.

Riscos que podem frear ou reverter a alta

Mesmo com forças positivas, o consenso é de que 2026 será marcado por volatilidade. A ofensiva geopolítica do presidente americano, Donald Trump, e o calendário eleitoral brasileiro são fatores que podem gerar oscilações bruscas.

Analistas lembram que decisões comerciais, aplicação de tarifas e tensões políticas podem pressionar preços de commodities e resultados de empresas exportadoras, desequilibrando expectativas.

Rafael Costa, da Cash Wise Investimentos, observa que a alta de 34% do Ibovespa em 2025 foi puxada, em grande parte, por fatores externos, e ressalta que desafios fiscais no Brasil continuam, o que aumenta o risco de correções se o cenário internacional mudar.

Projeções e até onde o Ibovespa pode chegar em 2026

Se o ambiente positivo prevalecer, há espaço para novos recordes na bolsa. Projeções variam, com o Itaú BBA apontando um fechamento em torno de 185 mil pontos, leituras mais otimistas vendo possibilidade de superar 252 mil pontos, e a Santander Corretora projetando 195 mil pontos ao fim de 2026.

Especialistas, no entanto, reforçam que o caminho não será linear. A combinação de entradas de capital, expectativa de cortes de juros no Brasil e nos EUA, e a percepção de que ações brasileiras estão descontadas sustentam a tese de alta, mas a imprevisibilidade eleitoral e riscos geopolíticos mantêm a incerteza.

No cenário prático, investidores monitorarão três sinais com atenção, juros, fluxo estrangeiro e notícias políticas, já que qualquer mudança abrupta em um desses vetores pode inverter o sentimento e provocar correções.

Em resumo, o Ibovespa ganhou fôlego em janeiro por combinações de juros, fluxo de estrangeiros e avaliação de valor relativo, mas a trajetória para 2026 dependerá de desdobramentos externos e do andamento da agenda fiscal e política no Brasil.

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