Milhares de pessoas saíram às ruas em cidades de costa a costa, com relatos de confrontos, prisões de jornalistas e pedidos de investigação federal sobre as mortes
Milhares de manifestantes lotaram as ruas de diversas cidades dos Estados Unidos em um dia de protestos que tomou proporções nacionais.
As manifestações ganharam força após as mortes de civis em operações da agência federal de imigração, com comércios e escolas fechando em solidariedade e estudantes se juntando às ruas.
Conforme informação divulgada pelo g1, as mobilizações ocorreram entre estados como Washington e Nova Inglaterra, envolvendo cidades como Minneapolis, Los Angeles, Houston e Nova York.
Protestos e adesão em diversas cidades
Os protestos contra o ICE reuniram multidões em capitais e metrópoles, em um movimento que se estendeu do extremo oeste ao nordeste do país.
Em várias localidades, lojas e restaurantes fecharam as portas, e estudantes abandonaram as aulas para participar das manifestações, com algumas escolas cancelando o dia em antecipação à ausência em massa.
Em muitas manifestações, policiais mascarados acompanharam os atos, e os participantes carregaram cartazes críticos ao presidente Donald Trump e à agência, acusando-a de métodos agressivos e aterrorizantes.
Motivação, mortes e respostas oficiais
A mobilização foi alimentada pelas mortes de civis em operações do ICE, incluindo a da mãe Renee Good, uma mãe de 37 anos, que foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE.
Outro caso que gerou indignação foi o do enfermeiro Alex Pretti, atingido por dez tiros por agentes do ICE em 24 de janeiro, segundo relatos divulgados na imprensa.
O episódio de Alex Pretti ganhou repercussão nacional, inclusive após o presidente rotular o homem de “encrenqueiro”, e após a divulgação de um vídeo viral que mostra Pretti resistindo a uma prisão dias antes de ser morto.
O Departamento de Justiça anunciou a abertura de uma nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, focando na violação de seus direitos fundamentais, em um procedimento que a própria instituição descreveu como “padrão”.
Reações do governo e declarações públicas
Em meio às manifestações, o presidente atacou os participantes, chamando-os de “insurgentes” e de “agitadores financiados por rebeldes profissionais”, e condenou o que classificou como uma “demonstração de violência” no caso de Pretti.
Ao mesmo tempo, Tom Homan, enviado do governo, afirmou à Fox News que a administração ainda pretende “prosseguir com a deportação em massa” de imigrantes, sinalizando continuidade nas ações da agência.
Artistas e figuras públicas também se envolveram nas homenagens, com Bruce Springsteen subindo ao palco em Minneapolis para cantar em memória das vítimas, apresentando uma canção que compôs para Alex Pretti.
Prisões de jornalistas e críticas à repressão
Dois jornalistas foram presos durante a cobertura dos protestos, informou a procuradora-geral Pam Bondi, que disse ter supervisionado a detenção do ex-âncora Don Lemon.
O Departamento de Segurança Interna aponta que Lemon está sendo processado por obstrução da liberdade religiosa por cobrir um protesto em uma igreja em Minnesota, e, segundo a imprensa americana, ele e outros detidos foram posteriormente libertados, embora Lemon deva comparecer ao tribunal.
O jornalista declarou, “Não vou parar agora”, em defesa da importância de uma mídia livre e independente que responsabilize os poderosos, e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas condenou o episódio como um “ataque flagrante” à imprensa.
Autoridades locais e opositores do governo criticaram a ação federal, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, ironizou que o que ocorre nos Estados Unidos deixaria o presidente russo orgulhoso, em postagem nas redes sociais.
O que vem a seguir
As investigações sobre as mortes e as consequências legais das prisões em cobertura jornalística prometem manter o tema em destaque nas próximas semanas, enquanto os protestos contra o ICE seguem mobilizando apoio em nível nacional.
Com manifestações em cidades de norte a sul e declarações polarizadas de autoridades, os desdobramentos poderão influenciar tanto o debate sobre políticas de imigração, quanto a atuação da imprensa e a agenda política do governo.