Milhares marcham de costa a costa em protestos contra ICE e Trump, com comércios fechando, estudantes deixando escolas, acusações ao governo e prisões de repórteres
Centenas e milhares de pessoas foram às ruas de diversas cidades dos Estados Unidos para protestar contra operações do ICE e as políticas do governo Trump, em atos que tomaram proporções nacionais.
Comércios e restaurantes fecharam em solidariedade, estudantes abandonaram as aulas para se juntar às manifestações, e um forte contingente policial acompanhou os atos em várias localidades.
Os atos foram motivados, em grande parte, pelas mortes de civis em ações de agentes federais, e tornaram a questão da imigração um foco central de mobilização, conforme informação divulgada pelo g1
Protestos ganharam escala nacional
Na sexta-feira, 30 de janeiro, milhares de manifestantes ocuparam as ruas de cidades que vão do estado de Washington à Nova Inglaterra, incluindo Minneapolis, Los Angeles, Houston, Nova York, Atlanta, Portland e Detroit.
Os protestos contra o ICE e Trump reuniram multidões em centros urbanos, com cartazes críticos ao presidente e à agência federal de imigração. Em algumas localidades, o frio extremo chegou a -17°C, mas isso não impediu que as pessoas marchassem.
Comércios e restaurantes fecharam as portas em solidariedade aos manifestantes, e escolas registraram ausências em massa, levando algumas administrações a cancelar o dia letivo em antecipação ao movimento.
Mortes de civis que inflamaram os protestos
O clima de indignação ganhou força depois das mortes de dois civis: Renee Good, descrita como “uma mãe de 37 anos”, morta em 7 de janeiro por um agente do ICE, e Alex Pretti, um enfermeiro que foi “atingido por dez tiros por agentes do ICE” em 24 de janeiro.
Em mensagens públicas, o presidente Donald Trump rotulou Pretti de “encrenqueiro” e, em seguida, condenou o que chamou de “demonstração de violência” exibida por ele em um vídeo anterior, que mostra o homem resistindo a uma prisão por agentes federais.
Os casos também provocaram respostas institucionais: o Departamento de Justiça abriu uma nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, buscando apurar possível violação de direitos fundamentais, em um procedimento descrito como “padrão” pela própria instituição.
Prisões de jornalistas e reação política
O cenário dos protestos inclui ainda a detenção de jornalistas durante a cobertura. A procuradora-geral Pam Bondi afirmou ter supervisionado “pessoalmente” a prisão do ex-âncora Don Lemon, que deve responder a processo por obstrução da liberdade religiosa em conexão com cobertura de um protesto em uma igreja em Minnesota, segundo o Departamento de Segurança Interna.
Outras pessoas, incluindo um jornalista freelancer, também foram presas, e depois liberadas, embora Don Lemon tenha de comparecer ao tribunal em Minneapolis no início de fevereiro, segundo reportagens americanas.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas condenou o que chamou de “ataque flagrante” à imprensa. Figuras políticas reagiram com críticas ao governo, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, fez comentário sarcástico relacionando os episódios a procedimentos autoritários.
Repercussões e o que está em jogo
Além das prisões e das investigações, a mobilização alimentou um debate mais amplo sobre o papel do ICE e a política de imigração do governo, com o enviado de Trump, Tom Homan, afirmando à imprensa que a administração pretende “prosseguir com a deportação em massa”.
Em meio às manifestações, artistas e líderes locais também se envolveram, por exemplo com Bruce Springsteen subindo ao palco em Minneapolis para cantar uma homenagem às vítimas, e com organizadores exigindo mudanças nas práticas de fiscalização e nos critérios de uso da força.
As próximas semanas devem trazer novas ações judiciais e políticas, enquanto comunidades e ativistas intensificam a pressão por responsabilização e por mudanças nas operações do ICE, em um momento em que o debate sobre imigração voltou ao centro do debate público nos EUA.