Divulgação de arquivos pelo Departamento de Justiça incluiu imagens e vídeos, vítimas pedem publicação completa e depoimento de autoridades, e governo nega blindagem
As vítimas de abuso ligadas a Jeffrey Epstein dizem que os supostos agressores permanecem ocultos e protegidos, mesmo depois da liberação de milhões de páginas de arquivos pelo governo dos Estados Unidos.
Familiares e sobreviventes exigem a publicação total dos documentos, e pedem que a procuradora-geral estadual Pam Bondi preste depoimento no Congresso, em meio à frustração por cortes e censuras nos arquivos.
As informações divulgadas têm gerado reações diversas, incluindo declarações de autoridades que negam interferência política no processo de revisão, conforme informação divulgada pelo g1
O que foi divulgado e o alcance dos arquivos
O Departamento de Justiça publicou mais de três milhões de documentos relacionados ao caso Epstein, que incluem pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos, segundo o próprio órgão.
Entre os arquivos há rascunhos de e-mails e trocas de mensagens que citam figuras públicas como Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe britânico Andrew.
O Departamento de Justiça afirmou que parte dos documentos contém “alegações falsas e sensacionalistas” apresentadas ao FBI antes das eleições de 2020, e disse que a divulgação seguiu critérios técnicos de revisão.
Reações das vítimas e exigência de transparência
Em carta assinada por 19 pessoas, algumas usando pseudônimos ou iniciais, as vítimas afirmam que os arquivos permitem sua identificação, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”.
Elas exigem a publicação completa dos arquivos Epstein e querem que Pam Bondi preste depoimento ao Congresso no próximo mês, cobrando esclarecimentos sobre cortes e omissões.
As sobreviventes argumentam que a liberação parcial não cumpre o objetivo de responsabilizar possíveis cúmplices e proteger futuras vítimas.
Posição das autoridades e declarações oficiais
O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que a Casa Branca não participou do processo de revisão dos arquivos, e declarou, “Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”.
Blanche, que já atuou como advogado de Trump, também negou que tenha sido excluído qualquer material comprometedor sobre o presidente, e afirmou, “Não protegemos o presidente Trump”, e, “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”.
O vice-procurador-geral disse que a divulgação marca o fim de um processo exaustivo de identificação e revisão, e reconheceu que a publicação ocorreu com atraso em relação ao prazo estabelecido pela lei.
Personagens citados e possíveis desdobramentos
Além de Trump, os documentos contêm trechos que associam outras figuras públicas a Epstein. Um rascunho de e-mail sugere que Bill Gates teve relações extraconjugais, informação negada pela Fundação Gates.
Há também mensagens de 2012 entre Elon Musk e Epstein, em que Musk pergunta, “Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?”, e Musk escreveu que está ciente de que as mensagens podem ser “mal?interpretadas e usadas por meus detratores para manchar o meu nome”.
Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein, é a única outra pessoa condenada pelos crimes do financista, e cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de menores.
A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein determinava que os documentos fossem publicados até 19 de dezembro, mas a divulgação ocorreu com atraso, e autoridades minimizam a expectativa de que novos documentos resultem em novas acusações.
O caso segue no centro de debates sobre proteção de vítimas, responsabilidades de figuras poderosas, e a necessidade de transparência completa nos arquivos, enquanto sobreviventes pedem que a investigação avance além da publicação parcial dos registros.