quinta-feira, junho 4, 2026

Caso Epstein: vítimas dizem que agressores seguem ocultos e protegidos após divulgação de mais de 3 milhões de documentos com fotos e vídeos citando Trump, Musk, Gates

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Vítimas exigem que todos os arquivos sejam tornados públicos, apontam risco de identificação das vítimas nas páginas liberadas e criticam que abusadores seguem protegidos

Vítimas de Jeffrey Epstein protestaram após a divulgação pelo governo dos Estados Unidos de milhões de documentos, e afirmam que os responsáveis pelos abusos, em muitos casos, continuam ocultos e protegidos.

O Departamento de Justiça publicou, na sexta-feira, um grande volume de material, mas reclamações sobre censura e omissão reacenderam questionamentos sobre transparência e responsabilização.

As informações e as críticas às decisões de revisão foram relatadas à imprensa e a movimentos de vítimas, conforme informação divulgada pelo g1

O que consta nos arquivos

Os documentos divulgados incluem mais de três milhões de documentos, e, segundo o Departamento de Justiça, contêm também pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos. Entre o material há menções a figuras públicas, mensagens, e rascunhos de e-mail que ligam Jeffrey Epstein a nomes como Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe Andrew.

Um dos registros citados é um rascunho de e-mail em que Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais, informação que a Fundação Gates negou. Outro trecho revela uma troca de mensagens de 2012 entre Elon Musk e Epstein, na qual Musk pergunta, traduzido, “Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?”.

Reclamações das vítimas e pedidos de investigação

Em carta assinada por 19 pessoas, algumas identificadas por pseudônimos ou iniciais, as vítimas afirmam que os arquivos contêm informações que permitem sua identificação, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”. Elas exigem a “publicação completa dos arquivos Epstein” e pedem que a procuradora-geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso no próximo mês.

As vítimas dizem ter sido expostas por material que não foi integralmente liberado, e cobram medidas para responsabilizar “aqueles que, ao lado de Epstein, cometeram crimes graves”.

Defesa do Departamento de Justiça e declarações oficiais

O procurador-geral adjunto Todd Blanche, em coletiva, afirmou que a Casa Branca não participou do processo de revisão dos arquivos divulgados, e declarou, “Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”.

Blanche, que já atuou como advogado de Donald Trump, negou que material comprometedora tenha sido excluído, dizendo, “Não protegemos o presidente Trump”, “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”. O Departamento também afirmou que parte dos documentos contém “alegações falsas e sensacionalistas” sobre Trump apresentadas ao FBI antes de 2020.

As autoridades explicaram que, por segurança e regras de privacidade, “todas as imagens de meninas e mulheres foram censuradas, com exceção das que mostram Ghislaine Maxwell”. O vice-procurador-geral afirmou que a divulgação de sexta-feira “marca o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos”.

Consequências e próximos passos

Jeffrey Epstein morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores, morte declarada suicídio. Ghislaine Maxwell, ex-parceira de Epstein, é a única outra pessoa acusada pelos crimes do financista e cumpre pena de 20 anos.

Apesar das menções frequentes a figuras públicas, incluindo Donald Trump e o ex-presidente Bill Clinton, nenhum deles foi acusado até o momento. Autoridades minimizaram expectativas de que a liberação dos novos documentos gere imediatamente novas denúncias criminais.

A publicação seguiu uma legislação, a Epstein Files Transparency Act, que determinava que todos os documentos do Departamento de Justiça fossem publicados até 19 de dezembro, prazo que acabou sendo ultrapassado, e a liberação ocorreu com atraso, segundo relato de autoridades.

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