quinta-feira, junho 4, 2026

‘El Helicoide’: de “maior centro de tortura da América Latina” a complexo cultural na Venezuela

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"title": "El Helicoide, de ícone arquitetônico a ex 'maior centro de tortura da América Latina', será transformado em complexo cultural, esportivo e comercial em Caracas",
"subtitle": "Anúncio de anistia geral e fim do uso como prisão abrem caminho para revitalização, enquanto investigação do Tribunal Penal Internacional e relatos de tortura continuam",
"content_html": "<h2>El Helicoide ganhará novo uso como centro esportivo, social, cultural e comercial, em meio a pedidos para que o lugar também seja preservado como memória das vítimas</h2><p><b>El Helicoide</b>, ícone inacabado de modernidade em Caracas, inicia uma nova fase depois de décadas ligado a detenções e relatos de tortura, com anúncio oficial de conversão do prédio em um complexo de lazer e comércio.</p><p>A transformação foi anunciada pela presidente interina Delcy Rodríguez, em um momento de transição política que inclui uma lei de anistia geral que alcança os 27 anos dos governos chavistas, segundo a cobertura disponível.</p><p>O futuro do edifício alimenta esperança de familiares de presos e também exige debate sobre memória e justiça, conforme informação divulgada pelo g1</p><h3>Do projeto de shopping drive-thru ao uso policial</h3><p>Concebido na década de 1950 como um shopping piramidal com passagens helicoidais para carros, hotel cinco estrelas e heliporto, o projeto original do <b>El Helicoide</b> nunca foi inaugurado conforme o planejado.</p><p>O conceito de um "shopping drive-thru" chegou a ser exibido no Museu de Arte Moderna de Nova York, mas a obra ficou abandonada por décadas, até ser ocupada em 1986 pela polícia política, a Disip, e depois abrigar órgãos como a Polícia Nacional e o Sebin.</p><h3>Relatos de tortura e investigação internacional</h3><p>Para muitas pessoas na Venezuela, a palavra <b>Helicoide</b> virou sinônimo de dor, e relatos detalham métodos de violência, incluindo asfixia com sacos plásticos, espancamentos e uso de correntes, conforme depoimentos reunidos pela imprensa.</p><p>Víctor Navarro, ex-detento e diretor da ONG Vozes da Memória, descreveu o local como o "<b>maior centro de tortura da América Latina</b>", e relatou agressões sofridas durante sua prisão em 2018.</p><p>As alegações também atraíram atenção de organismos internacionais, com o Tribunal Penal Internacional investigando possíveis crimes contra a humanidade ligados ao Helicoide, e a ONU denunciando detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados, segundo a reportagem citada.</p><h3>Impacto social e reação das famílias</h3><p>Após o anúncio oficial, familiares de presos políticos se reuniram do lado de fora do prédio aos gritos de liberdade, em cenas relatadas pela agência AFP e repercutidas pela imprensa local.</p><p>ONGs de direitos humanos, como o Foro Penal, estimam que a Venezuela tem ao menos <b>711 presos</b>, dezenas deles detidos no Helicoide, número que alimenta a discussão sobre a necessidade de solução rápida e transparente para essas pessoas.</p><h3>Revitalização, memória e garantias</h3><p>O projeto de transformar o prédio em um "centro esportivo, social, cultural e comercial" foi apresentado como medida de revitalização, mas ativistas pedem que a mudança inclua um <b>centro de memória</b>, para preservar a lembrança das vítimas e evitar que abusos se repitam.</p><p>Defensores dos direitos humanos, como Marino Alvarado, defendem que o espaço não seja apenas de lazer, mas também um lugar de registro e reparação simbólica, enquanto autoridades afirmam que a intenção é devolver a edificação à cidade com novas funções.</p><p>O desafio imediato é operacional, político e simbólico, pois a retirada de funções penitenciárias e a garantia de transparência sobre o destino dos presos demandam ações concretas, com acompanhamento nacional e internacional, inclusive diante das investigações em curso.</p><p>O passado do <b>El Helicoide</b>, entre sonho arquitetônico e denúncias graves, coloca sob escrutínio a forma como a sociedade venezuelana e o sistema de justiça vão lidar com memória, responsabilização e reconciliação nos próximos meses.</p>"
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