Em Milão, manifestantes criticam agentes do ICE vinculados à segurança da delegação americana, lembram resistência antifascista e exibem faixas e slogans, conforme informação divulgada pelo g1
Centenars de pessoas se reuniram na Piazza XXV Aprile, em Milão, para protestar contra a presença de agentes do ICE durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que começam em 6 de fevereiro.
O grupo era formado por membros do Partido Democrático, da confederação sindical CGIL e da ANPI, além de moradores e ativistas que trouxeram faixas e dizeres críticos aos Estados Unidos.
Os manifestantes reclamaram não apenas da presença dos agentes, como também de episódios e práticas atribuídas ao ICE, e demonstraram preocupação com a participação de forças estrangeiras na segurança do evento, conforme informação divulgada pelo g1.
Motivos do protesto e os slogans usados
Durante a manifestação, apareceram várias faixas e palavras de ordem, muitas fazendo referência direta ao ICE e ao que os presentes consideram abusos, por exemplo, “Não, obrigada. De Minnesota para o mundo, ao lado de todos que lutam pelos direitos humanos”.
Outras frases exibidas foram “‘Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para qualquer pessoa”, e o trocadilho “ICE só no Spritz”, que ironiza a presença da agência em solo italiano.
A manifestante Silvana Grassi segurava uma placa com os dizeres “ICE = Gestapo”, e disse estar chocada com cenas de violência envolvendo agentes do ICE nos Estados Unidos.
Quem são os agentes e qual será sua função
As autoridades informaram que os agentes enviados não pertencem à unidade de repressão à imigração que atua nas ruas nos Estados Unidos, mas a uma divisão que trabalha com crimes transfronteiriços.
Segundo a cobertura, a unidade da Homeland Security Investigations, HSI, costuma atuar em eventos no exterior com apoio investigativo, e os agentes devem operar em uma sala de controle, sem policiamento ostensivo nas ruas.
O texto da cobertura lembra que o braço do ICE conhecido por atuar diretamente na aplicação de políticas de imigração é o Enforcement and Removal Operations, ERO, e não há indicação de que agentes do ERO estejam sendo enviados à Itália.
Reações políticas e institucionalidade
A notícia do envio dos agentes provocou reação entre autoridades locais, e o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, declarou que os agentes não eram bem-vindos.
O caso levou o Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, a ser convocado ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o envio dos agentes durante a semana anterior aos Jogos.
O protesto reuniu organizações com forte vínculo à memória antifascista italiana, como a ANPI, e sindicatos, que associaram a presença dos agentes a preocupações mais amplas sobre segurança e direitos, e a memória da libertação de 1945.
Vozes do protesto
Entre os manifestantes, havia quem aceitasse a distinção entre unidades do ICE e ainda assim rejeitasse sua presença, por exemplo, “Mesmo que não sejam os mesmos, não os queremos aqui”, frase repetida por quem participou do ato.
Paolo Bortoletto, outro participante, afirmou entender que os agentes teriam função investigativa, mas disse que “Não os queremos em nosso país. Somos um país pacífico, não queremos fascistas, são as ideias deles que nos incomodam.”
O protesto em Milão voltou a colocar no centro do debate público a presença de forças estrangeiras em eventos internacionais, e a memória histórica ligada à resistência contra o fascismo, em um momento de ampla atenção internacional aos Jogos Olímpicos.