Decisão mantém operações do ICE em Minnesota, juíza afirma que “o balanço dos prejuízos não favorece de forma decisiva a concessão de uma medida cautelar”, enquanto protestos crescem
A Justiça federal dos Estados Unidos rejeitou, neste sábado, um pedido para suspender as operações do ICE no estado de Minnesota.
A medida solicitava a interrupção imediata da ofensiva conhecida como Metro Surge, alegando violação da soberania estadual e discriminação por parte do governo federal.
O caso segue para julgamento definitivo, enquanto a decisão de liberdade de uma criança gerou novo foco público e protestos em várias cidades americanas, conforme informação divulgada pelo g1.
O que decidiu o tribunal e o que significa
A juíza Katherine Menendez concluiu que “o balanço dos prejuízos não favorece de forma decisiva a concessão de uma medida cautelar”. Com isso, as operações do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE, permanecem em vigor até o julgamento final.
Menendez destacou que a decisão cautelar não representa um julgamento final sobre o mérito das alegações nem sobre a legalidade das táticas dos agentes.
O processo foi movido pelo estado de Minnesota e pelas cidades de Minneapolis e St. Paul, que afirmam que a ação federal configura interferência na administração local e discriminação.
Mortes e repercussão local
O processo judicial cita dois episódios fatais recentes ligados às operações do ICE. No início de janeiro, em 07 de janeiro, a americana Renée Good foi morta a tiros por um agente federal ao se recusar a sair de seu carro.
Na semana de 24 de janeiro, o americano Alex Pretti morreu durante outra operação em Minneapolis, ele protestava contra a morte de Renée.
Autoridades apontam que o trabalho conduzido pelo ICE já causou a morte de dois cidadãos americanos, fato que alimentou uma onda de manifestações públicas.
Reações de autoridades e manifestações
A secretária de Justiça, Pam Bondi, saudou a decisão judicial como uma “enorme vitória judicial”. Em sentido oposto, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou estar decepcionado.
Frey declarou, “Essa decisão não muda o que as pessoas viveram aqui: o medo, a perturbação e os danos causados por uma operação federal que nunca deveria ter ocorrido em Minneapolis”.
As imagens e relatos sobre as detenções, assim como sobre os dois óbitos, motivaram centenas de protestos em diversas cidades dos Estados Unidos.
Liberação de menino de 5 anos e críticas à operação
Em paralelo, o juiz federal Fred Biery ordenou a libertação imediata de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e de seu pai, Adrian Conejo Arias. Ambos, solicitantes de asilo que entraram no país de forma legal, foram detidos no Texas após abordagem durante a ofensiva em Minnesota.
Pai e filho foram detidos no dia 20 de janeiro, do lado de fora de casa, no momento em que o menino voltava da escola. As imagens do garoto sendo usado como “isca” viralizaram.
Na decisão, o juiz Fred Biery criticou duramente a conduta do governo, descrevendo o caso como resultado de uma busca “mal concebida e incompetentemente executada” por cotas de deportação, mesmo que isso resulte na traumatização de crianças. O despacho determina que pai e filho sejam soltos até a próxima terça-feira, 03.
Próximos passos e impacto político
Com a manutenção das operações, cabe agora ao tribunal avaliar o mérito das alegações apresentadas por Minnesota, Minneapolis e St. Paul.
O caso tem potencial para repercutir nas esferas estadual e federal, aprofundando o confronto entre autoridades locais e o governo do presidente Donald Trump sobre estratégias de imigração.
Enquanto isso, as medidas cautelares negadas e as decisões isoladas de libertação demonstram a complexidade jurídica e humana envolvida nas ofensivas do ICE e mantêm a questão viva no debate público e nas ruas dos Estados Unidos.