quinta-feira, junho 4, 2026

Encontro Lula e Trump em março deve priorizar combate ao crime organizado, tarifaço a produtos brasileiros e política para a América Latina

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Presidentes devem discutir cooperação em segurança, continuidade das negociações sobre tarifas e a crise na Venezuela, em reunião prevista para março em Washington

O encontro presencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump está previsto para março, sem data definida, e deve concentrar temas bilaterais de grande impacto econômico e diplomático.

Fontes da diplomacia brasileira indicam que os principais pontos na pauta serão o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre o tarifaço que afeta produtos brasileiros e a situação política na América Latina.

As conversas já vinham ocorrendo por telefone, e interlocutores do governo afirmam que a reunião servirá para consolidar acordos e alinhar ações entre os dois países, conforme informação divulgada pelo G1

Combate ao crime organizado

Na ligação mais recente, Lula reiterou uma proposta encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025 para fortalecer a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado.

O Planalto destacou interesse em ampliar parceria em repressão à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras.

Segundo fontes, a iniciativa foi bem recebida por Trump, e há expectativa de transformar a proposta em uma parceria estratégica com cooperação técnica e operacional entre agências dos dois países.

Tarifaço e negociações comerciais

O levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros foi citado como um avanço nas relações recentes, depois de negociações que envolveram interlocuções diplomáticas e comerciais.

O governo brasileiro quer aproveitar o encontro para dar continuidade às negociações sobre produtos ainda afetados pelo tarifaço, buscando soluções que ampliem as exportações e reduzam impactos sobre setores industriais e agropecuários.

Interlocutores do Palácio do Planalto esperam que representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e do Ministério da Fazenda integrem a comitiva que irá a Washington.

América Latina e a crise na Venezuela

A pauta regional, em especial a situação na Venezuela, também deve estar na mesa, porque envolve interesses territoriais e humanitários na vizinhança do Brasil.

A captura de Nicolás Maduro ocorreu em 3 de janeiro. A operação, segundo relatos, envolveu tropas de elite e enfrentamento direto com forças venezuelanas, e foi concluída sem baixas norte-americanas.

Maduro e sua esposa foram levados a um navio militar e, posteriormente, aos Estados Unidos, onde enfrentam acusações. Já no país, passaram por audiência e se declararam inocentes. Com a destituição, Delcy Rodríguez assumiu como líder do país.

Lula condenou a ação militar dos EUA na Venezuela, afirmando que a operação ultrapassou os limites do que considera aceitável na relação entre países, e defenderá a preservação da paz e o bem-estar da população venezuelana.

Comitiva e próximos passos

Espera-se que a delegação brasileira em Washington inclua representantes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Polícia Federal.

Fontes ouvidas pela imprensa ressaltam que a agenda do encontro terá caráter pragmático, com foco em resultados concretos nas áreas de segurança, comércio e coordenação regional.

Além de fortalecer canais bilaterais, interlocutores do governo acreditam que manter proximidade com os Estados Unidos pode ser importante para neutralizar tentativas de influência externa em pautas políticas internas, especialmente com o horizonte eleitoral de 2026.

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