Encontro previsto para março deve priorizar combate ao crime organizado, negociação sobre o ‘tarifaço’ que afeta produtos brasileiros e a situação na América Latina
O governo brasileiro prepara um encontro presencial entre Lula e Trump para março, com foco em temas bilaterais e na relação regional. A expectativa é articular ações concretas sobre segurança, comércio e política externa.
Fontes da diplomacia brasileira afirmam que o Brasil quer pautar três pontos principais no encontro, que ainda não tem data definida: combate ao crime organizado, continuidade das negociações sobre o tarifaço e a situação na América Latina.
A comitiva brasileira deve incluir representantes do Itamaraty, da Justiça e Segurança Pública, da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Polícia Federal, para tratar dos temas em discussão.
conforme informação divulgada pelo g1
Como se chegará ao encontro e o que já foi feito
Segundo interlocutores, Lula e Trump mantiveram contato recente por telefone, o que ajudou a preparar a visita. Os dois conversaram na última segunda-feira (26) por quase uma hora por telefone, segundo nota da Presidência, e trataram de temas ligados à relação bilateral e à agenda global.
A reunião entre os dois presidentes deve acontecer em março, ainda sem data definida, disseram fontes da diplomacia brasileira, que veem a conversa presencial como oportunidade para organizar e reforçar a relação bilateral entre os países.
Combate ao crime organizado como prioridade
A pauta de segurança será um dos pilares do encontro, com proposta já encaminhada ao governo norte-americano. Na conversa telefônica mais recente, Lula reiterou a proposta encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025 para o fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado, dizem fontes do Planalto.
O Brasil busca ampliar a parceria em áreas como repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados financeiros, e tenta transformar a agenda em uma parceria estratégica entre os países.
Tarifaço, comércio e produtos brasileiros
Outro ponto central na pauta será o chamado tarifaço, medidas que ainda afetam exportações brasileiras. O governo destaca a necessidade de continuar negociações que resultaram, recentemente, no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Interlocutores avaliam que a presença de ministros da Economia e do Desenvolvimento na comitiva será importante para buscar soluções técnicas e acelerar acordos comerciais que beneficiem setores prejudicados.
América Latina, Venezuela e riscos diplomáticos
A situação regional também estará na mesa, tanto por ser uma questão geográfica quanto por acontecimentos recentes que exigem posicionamento conjunto. A captura de Nicolás Maduro ocorreu em 3 de janeiro, atividade que gerou repercussão internacional e aumentou a importância do diálogo entre Brasil e Estados Unidos.
Maduro e sua esposa foram levados a um navio militar e, posteriormente, aos Estados Unidos, onde enfrentam acusações, relatam as fontes, e Já no país, passaram por audiência e se declararam inocentes. Com a destituição do presidente, Delcy Rodríguez assumiu como líder do país, o que complica ainda mais o cenário regional.
Lula condenou a ação militar dos EUA na Venezuela e afirmou que a operação ultrapassou os limites do que considera aceitável na relação entre países, segundo a Presidência, motivo que deverá ser tratado diretamente entre os presidentes para buscar caminhos que preservem a paz e o bem-estar da população venezuelana.
Próximos passos e expectativas
Além do debate político, a expectativa é que o encontro gere acordos práticos, com cronogramas e equipes técnicas definidas. A presença de autoridades de diversas pastas indica intenção de avançar rapidamente em propostas.
Fontes do Planalto e do Itamaraty destacam que manter proximidade com o governo dos Estados Unidos pode ser útil também no cenário eleitoral de 2026, e que o diálogo com Lula e Trump mira tanto interesses imediatos quanto estabilidade regional.