Encontro em Washington deve priorizar cooperação em segurança, negociação sobre o tarifaço e coordenação sobre a situação na Venezuela e na América Latina, dizem fontes
Uma reunião entre os presidentes está prevista para março, ainda sem data definida, com foco em interesses bilaterais e na relação regional.
O governo brasileiro quer concentrar a agenda em três temas centrais, para organizar e reforçar o diálogo com os Estados Unidos.
As informações foram apuradas junto a interlocutores da diplomacia e do Planalto, conforme informação divulgada pelo g1
Pauta do encontro
Fontes da diplomacia brasileira afirmam que os temas principais são o combate ao crime organizado, o tarifaço e a situação na América Latina. A expectativa é que representantes das pastas envolvidas integrem a comitiva que irá a Washington.
Entre os órgãos citados estão o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério da Fazenda, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a Polícia Federal, segundo interlocutores.
Segurança e combate ao crime organizado
O presidente reiterou proposta encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025 para fortalecer a cooperação no combate ao crime organizado, com foco em repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas e congelamento de ativos.
Segundo o Planalto, a iniciativa, que prevê intercâmbio de dados sobre transações financeiras, “foi bem recebida por Trump”. Na última conversa, Lula e Trump “conversaram na última segunda-feira (26) por quase uma hora por telefone”.
Tarifaço e comércio
O governo brasileiro também busca dar continuidade às negociações sobre produtos ainda afetados pelo tarifaço aplicado pelos EUA a bens brasileiros. A retirada de restrições já ocorreu em parte, mas Brasília quer consolidar avanços.
Na avaliação do Palácio do Planalto, a conversa presencial será importante para transformar entendimentos em acordos técnicos práticos, e para acelerar a solução de impasses comerciais.
América Latina e a crise na Venezuela
A discussão sobre a região aparece como pauta natural, e os acontecimentos recentes na Venezuela elevaram a urgência do tema. “A captura de Nicolás Maduro ocorreu em 3 de janeiro.”
Lula condenou a ação militar dos EUA e pediu preservação da paz e bem-estar da população venezuelana, enquanto interlocutores brasileiros avaliam que a coordenação hemisférica será debatida no encontro.
Interlocutores do Planalto veem na aproximação com Washington uma forma de neutralizar tentativas de influência externa sobre o cenário político interno e de lançar uma parceria estratégica mais ampla entre Brasil e Estados Unidos.