Chuvas intensas e umidade elevada em áreas citrícolas de São Paulo reduzem qualidade da laranja, favorecem podridões e fungos, elevam perdas para a indústria e pressionam o preço do suco e da fruta
A sequência de chuvas no início do ano afetou diretamente a qualidade da laranja em várias regiões do interior de São Paulo, com impacto tanto nos pomares quanto na cadeia industrial do suco.
Produtores relatam aumento de frutos com podridão e contaminação por fungos, e parte da produção destinada à indústria tem chegado com padrão inferior ou se perde antes da colheita.
Esses problemas, somados ao avanço do greening e às altas temperaturas, contribuem para reduzir oferta de qualidade e pressionar os preços ao consumidor, no varejo e no suco industrializado.
conforme informação divulgada pelo g1
Regiões mais afetadas e dados do Fundecitrus
Um levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por citricultores e indústrias de suco do estado, revelou que a região de Limeira (SP) é a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024. A liderança no ranking segue uma tendência já observada em anos anteriores.
Em relação a 2023, a incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%. Esses índices mostram como a doença segue se consolidando em áreas-chave da produção, afetando rendimento e qualidade dos pomares.
Causas apontadas, perdas e análise do Cepea
Segundo Cepea, em Piracicaba (SP), a umidade excessiva causa podridões e fungos nos pomares. O excesso de chuva cria condições favoráveis para doenças fúngicas e apodrecimento, tornando colheitas mais heterogêneas e menos aptas para processamento.
Parte da produção à indústria se perde ou chega ao mercado com padrão inferior. Isso reduz a quantidade de matéria-prima de boa qualidade disponível para fábricas de suco, aumentando custos de seleção e perda.
Impacto nos preços e no consumidor
O conjunto de fatores, incluindo o avanço do greening, chuvas fora do padrão e altas temperaturas, tem efeito direto na formação de preços. O prejuízo nos pomares e as altas temperaturas têm impacto nos preços da fruta e do suco vendidos ao consumidor.
Com menor oferta de laranja de qualidade, indústrias e varejo podem repassar custos adicionais aos consumidores, elevando o preço do suco e da fruta fresca nas prateleiras.
O que acompanhar nas próximas semanas
Produtores e indústrias monitoram a evolução do clima e a incidência do greening para estimar perdas e planejar compras, processamento e estoques. A continuidade de chuvas e altas temperaturas segue como fator de risco para a qualidade da próxima safra.
Consumidores, por sua vez, podem notar variações de preço e qualidade no mercado, enquanto cadeias industriais ajustam seleção e logística para reduzir perdas.