Manual da prova prática da CNH padroniza critérios de avaliação, passa a observar o condutor em tráfego real, e mantém apenas a finalização do percurso para o estacionamento
A Secretaria Nacional de Trânsito, Senatran, publicou o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular para estabelecer regras nacionais da prova prática da CNH.
O documento redefine como os examinadores vão avaliar candidatos, transferindo o foco da memorização de manobras para o comportamento no tráfego, atenção e interação com outros agentes.
No novo texto, a baliza “deixou de ser uma etapa obrigatória da prova prática” e a “avaliação deixa de ser sobre uma manobra específica, feita em um espaço à parte e pouco representativa do dia a dia, e passa a observar o condutor em situação real de tráfego”, conforme informação divulgada pelo g1.
Como muda a avaliação da baliza
Com o manual, a prova prática da CNH passa a observar o candidato durante um trajeto em via pública, momento em que se avaliam atenção, leitura do ambiente e controle emocional.
Segundo o documento, “O que permanece [sobre a avaliação da baliza] é a finalização do percurso, momento em que o candidato deverá estacionar o veículo”, portanto a verificação de estacionamento continua, mas sem a obrigatoriedade de uma manobra isolada.
O Conselho Nacional de Trânsito, Contran, também sinalizou que acaba com o teste da baliza para candidatos a motorista em todo o Brasil, integrando essa mudança à padronização nacional.
Estados que já deixaram de exigir a baliza
Ao menos 10 unidades federativas já deixaram de exigir a baliza na prova prática da CNH, entre elas São Paulo, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Sergipe e o Distrito Federal.
Variações locais persistem, e vários Detrans informaram ao g1 que aguardavam a publicação do manual antes de ajustar procedimentos. O g1 procurou os 27 Detrans do país para checar a exigência.
Além disso, o Detran de São Paulo passou a permitir o uso de carros com câmbio automático na prova prática, medida que acompanha a composição da frota. Segundo o Inmetro, “apenas 121 dos 769 modelos e versões de carros vendidos no Brasil têm câmbio manual”.
Opiniões de especialistas e riscos apontados
A mudança divide especialistas. A advogada especialista em direito de trânsito Laura Diniz alerta que “Estacionar corretamente é uma situação cotidiana para qualquer motorista e, muitas vezes, um fator determinante para a fluidez e a segurança do tráfego. Ao retirar essa etapa do exame, corre-se o risco de habilitar condutores que ainda não possuem domínio suficiente do veículo”.
Ela ressalta, também, que “melhoras no processo de habilitação são favoráveis, mas a retirada de etapas essenciais sem que haja uma compensação efetiva na formação prática do condutor pode ser prejudicial a longo prazo”.
A psicóloga especialista em trânsito Cecília Bellina afirma que “Eu não sou nem contra nem a favor da retirada da baliza. Sou contra mais uma mudança radical sem esperar o resultado da primeira, ocorrida há menos de dois meses”. Ela destaca preocupação com outras alterações, como redução de aulas práticas e o fim da obrigatoriedade da autoescola.
O que muda para quem vai tirar a CNH
Candidatos que farão a prova prática da CNH devem checar o Detran local sobre a aplicação do novo manual e sobre o uso de veículos automáticos, quando permitido.
Na prática, a fiscalização tende a avaliar comportamentos cotidianos, em vez de apenas manobras isoladas, mas é recomendável que candidatos continuem a treinar estacionamento, controle do veículo e leitura de tráfego.
Especialistas e autoridades recomendam acompanhamento das publicações oficiais e das instruções do Detran de cada estado, já que a padronização federal só passa a valer com a efetiva implementação local.