quinta-feira, junho 4, 2026

Refinarias dos EUA enfrentam aumento repentino na importação de petróleo venezuelano, excesso de oferta pressiona preços e deixa volumes sem comprador na Costa do Golfo

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Plano de enviar petróleo venezuelano aos EUA tromba com fraca demanda, descontos maiores que em janeiro, necessidade de ajustes operacionais e volumes acumulados

Petróleo venezuelano tem chegado em ritmo acelerado às refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos, mas a demanda fraca e a concorrência por espaço de armazenamento criam um nó comercial.

O aumento das exportações, após o acordo de fornecimento e autorizações a tradings, tem pressionado preços e deixado parte dos volumes sem comprador, enquanto refinarias ponderam se vão ajustar unidades para processar carregamentos mais pesados.

Os dados e relatos do mercado apontam para um desequilíbrio entre oferta e capacidade de absorção nas refinarias americanas, conforme informação divulgada pelo g1

Como surgiu o aumento súbito de embarques

O fluxo maior de petróleo venezuelano veio depois de um acordo e de licenças concedidas a empresas como Vitol e Trafigura, além de autorizações já existentes à Chevron.

Em janeiro, as exportações totais de petróleo venezuelano para os Estados Unidos quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia, segundo dados baseados no movimento de navios.

Antes das sanções impostas por Washington em 2019, os EUA importavam cerca de 500 mil barris diários do país, esse volume caiu a zero em meados de 2025, após Trump revogar todas as licenças de comercialização e transporte.

Pressão sobre preços e descontos praticados

O excesso de oferta tem reduzido valores, mas alguns compradores seguem reticentes, por causa da qualidade e do custo de processamento do bruto venezuelano.

Atualmente, cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.

Um operador ouvido pelo mercado resumiu a situação, dizendo, "Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes".

Capacidade das refinarias e limitações operacionais

Levar as refinarias americanas a processar novamente grandes volumes venezuelanos demandará tempo e ajustes, porque alguns complexos precisam ser adaptados para tipos mais pesados.

O presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier, afirmou que a empresa "pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos".

A Chevron aumentou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro, e seu CEO, Mike Wirth, disse que a rede de refino da companhia consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela, indicando a necessidade de armazenar ou revender o excedente.

Fontes também relataram petroleiros fretados pela Chevron aguardando dias para descarregar em portos dos EUA ou reduzindo a velocidade de navegação, enquanto operadores renegociaram datas de descarga após atrasos entre dezembro e janeiro.

Concorrência global e destinos alternativos

Com a China recuando, por ora, do comércio após a captura do presidente Nicolás Maduro, os fluxos tradicionais foram alterados e os Estados Unidos afirmaram que controlariam as vendas venezuelanas por tempo indeterminado.

Vitol e Trafigura exportaram cerca de 12 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia, dos portos venezuelanos em janeiro, principalmente para terminais de armazenamento no Caribe, e grande parte desse volume ainda não foi vendida.

No total, as exportações de petróleo da Venezuela saltaram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro, elevando a oferta disponível no mercado internacional.

Analistas apontam que a Índia pode ser uma alternativa para escoar parte do petróleo venezuelano, e a relação comercial anunciada entre EUA e Índia pode abrir espaço para compras maiores por parte de refinarias indianas.

Em meio a números e rotas, o principal desafio permanece, que é conciliar a chegada rápida do petróleo venezuelano com a capacidade real das refinarias e com preços que tornem o produto competitivo frente a concorrentes, como os graus pesados canadenses.

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