quinta-feira, junho 4, 2026

BRB registrou dívidas quitadas ou inexistentes no BC, clientes do Master e do Will Bank relatam registros indevidos e prejuízos no score e financiamentos

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Relatos dizem que contratos apareceram como ativos ou em atraso no SCR do Banco Central, o BRB afirma que deixou de receber informações do liquidante e promete correção imediata

Clientes que fizeram empréstimos ou contrataram serviços no Will Bank e no Banco Master passaram a encontrar débitos registrados no Sistema de Informações de Créditos, o SCR, do Banco Central, mesmo após a quitação ou sem nunca terem contraído a dívida.

Muitos afetados perceberam a inconsistência ao consultar o Registrato, o sistema do BC que reúne os dados que instituições financeiras compartilham com o Banco Central.

O caso envolve o Banco de Brasília, o BRB, que aparece como responsável pelos registros, e a situação já tem causado recusas em aprovações de crédito e reclamações em massa, conforme informação divulgada pelo g1.

Como surgiram os registros e qual a ligação entre BRB, Master e Will Bank

O problema tem origem na compra e transferência de carteiras de crédito entre instituições. O BRB vinha adquirindo carteiras do Banco Master desde 2024, e chegou a anunciar, em março de 2025, um acordo para comprar o banco, em operação estimada em R$ 2 bilhões, vetada pelo Banco Central em setembro.

Após a liquidação extrajudicial do Master, investigações da Polícia Federal apontaram um suposto esquema envolvendo carteiras de baixa qualidade. Em compensação por carteiras problemáticas, o Master transferiu novas carteiras ao BRB, e parte desses ativos teria origem no Will Bank, segundo relatos apurados pelo g1.

É a partir dessa movimentação que, segundo clientes, teriam surgido os registros atribuídos ao BRB, inclusive para pessoas que nunca tiveram conta naquela instituição.

O que diz o BRB e qual a justificativa técnica

Em nota, o banco informou que, “após a liquidação do Will Bank, deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas”.

O BRB acrescentou que, pelas regras contratuais, o banco que originou os créditos deve acompanhar os pagamentos e, na sequência, fazer o envio dos dados e valores correspondentes ao comprador.

O banco afirmou ainda que realizou conciliações internas, encaminhou comunicados ao liquidante e que “o Banco segue atuando junto ao liquidante para normalizar a situação, tomando medidas internas e está preparado para realizar a correção imediata dos dados assim que houver retorno do administrador do banco em liquidação”, conforme nota divulgada ao g1.

Especialistas consultados pelo g1 explicam que a transferência de créditos é prática comum, mas exige procedimentos formais, incluindo a notificação ao consumidor, para que a cessão produza todos os efeitos.

Segundo Pedro Ramunno, professor de direito empresarial do Mackenzie, “a transferência de créditos exige que o consumidor seja notificado”, e essa comunicação deve ser comprovada para evitar dúvidas sobre a quem o devedor deve pagar.

Ao mesmo tempo, advogados dizem que o banco comprador tem o dever de validar e classificar corretamente os novos clientes nas suas reservas e confirmar informações antes de registrá-las no SCR. Na prática, isso significa que, embora o BRB alegue falta de dados do liquidante, cabe ao banco confirmar e corrigir registros que prejudiquem consumidores, segundo Bruno Balduccini e Gustavo Kloh, citados pelo g1.

Impactos para consumidores e números de reclamações

Além de aborrecimentos, os registros indevidos têm gerado prejuízos concretos. Um cliente relatou ter tido um financiamento imobiliário negado por causa de uma pendência registrada como dívida vencida, que ele afirma já ter quitado junto ao banco de origem.

Os relatos se multiplicaram em plataformas de reclamação. Conforme informação divulgada pelo g1, “O site Reclame Aqui registra ao menos uma centena de relatos semelhantes apenas em janeiro deste ano, enquanto outras 324 reclamações foram feitas entre agosto e dezembro de 2025. No mesmo período de 2024, houve 76 registros sobre o tema, um aumento de 326%”.

Consumidores descrevem casos com valores variando, incluindo exemplos de dívidas de cartão de crédito atribuídas ao BRB, embora o titular nunca tenha tido relacionamento com o banco.

O que fazer se você estiver com um registro indevido

Especialistas orientam que o primeiro passo é procurar a instituição que está cobrando e solicitar, por escrito, o contrato, o valor atualizado, a identificação de quem originou a dívida e a comprovação do vínculo. Exigir um protocolo é fundamental para formalizar a reclamação.

Se não houver contrato ou prova da dívida, trata-se de cobrança indevida e o consumidor deve registrar reclamação em órgãos como Procon e Consumidor.gov, e, se necessário, recorrer à Justiça, seja ao Juizado Especial ou à Justiça comum, conforme orientação citada no g1.

O ideal é acompanhar o Registrato do Banco Central, guardar toda a comunicação e, caso haja negativação que impeça operações de crédito, buscar uma solução rápida junto ao banco e aos órgãos de defesa do consumidor.

A cobertura e os detalhes deste caso foram obtidos com base em material publicado pelo g1.

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