quinta-feira, junho 4, 2026

BRB registrou dívidas quitadas e inexistentes no BC, clientes do Master e Will Bank relatam impacto no crédito, aumento de reclamações e investigação sobre carteiras

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Entenda por que o BRB registrou dívidas de contratos quitados ou que nunca existiram, qual foi o impacto no score de consumidores, e como o banco e especialistas explicam o caso

Clientes que fizeram empréstimos ou contrataram serviços no Will Bank e no Banco Master relatam ter encontrado registros de dívidas como ativos ou em atraso no Sistema de Informações de Créditos, o SCR do Banco Central.

De acordo com relatos, os registros foram feitos em nome do Banco de Brasília, o BRB, mesmo quando contratos já haviam sido quitados ou quando o cliente nunca teve relação com o banco comprador.

Os detalhes e depoimentos sobre o problema foram coletados e divulgados na reportagem, conforme informação divulgada pelo g1.

O que os clientes relatam

Consumidores perceberam a inconsistência ao consultar o Registrato, sistema do Banco Central que reúne os dados que bancos compartilham com a autoridade monetária.

Há casos em que dívidas quitadas no Master ou no Will Bank aparecem como inadimplentes em nome do BRB, e há relatos de débitos que nunca existiram para a pessoa afetada.

Um cliente relatou ter tido um financiamento imobiliário negado por causa de uma pendência, outro afirmou que um acordo fechado no fim de dezembro com o Will Bank ainda constava como débito vencido no Registrato, mesmo após o repasse, conforme os relatos obtidos pela reportagem.

Resposta do BRB e explicação do processo de cessão

O BRB informou que, “deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas”.

O banco acrescentou que, pelas regras, a instituição que originou os créditos é responsável por acompanhar os pagamentos e repassar os dados e valores correspondentes ao BRB.

Em nota, o BRB disse, “Após a liquidação, esse fluxo não foi retomado ainda pelo liquidante, de modo que o BRB ainda não dispõe de informações suficientes para a baixa das operações. Por essa razão, alguns contratos apareceram como ativos ou inadimplentes no Sistema de Informações de Créditos (SCR), mesmo já tendo sido pagos no banco de origem”.

O BRB afirmou que realizou conciliações internas e enviou comunicados ao liquidante para retomar o processo, e que está preparado para corrigir os dados assim que receber as informações.

O que dizem especialistas sobre responsabilidade e notificação

Especialistas consultados pela reportagem lembram que a cessão de créditos é prática comum, mas exige cuidados e notificações ao consumidor.

Segundo Fabio Braga, “Para isso, os bancos discutem a estrutura desses contratos e os custos envolvidos. Para quanto vou vender e qual será o desconto? Outro ponto importante é que, na negociação, também se define quem ficará responsável pela gestão dos pagamentos”.

Pedro Ramunno explica que, “Pela legislação, a transferência de créditos exige que o consumidor seja notificado”. A notificação, segundo ele, pode ser por carta, e-mail ou por instrumento público, e é necessária para que a cessão produza todos os seus efeitos.

Bruno Balduccini afirma que a atualização deve ser imediata, “porque o banco comprador passa a ter novos clientes que precisam ser classificados”. Ele reforça que cabe ao banco comprador validar informações antes de repassá-las ao BC.

Gustavo Kloh observa que, mesmo que o BRB não seja o causador direto do erro, “O BRB não pode alegar que um terceiro seja responsável pelo registro de dívidas indevidas. O banco precisa fornecer informações corretas ao consumidor e não pode registrar uma situação de crédito equivocada”, e complementa, “Ele pode não ter culpa pelo problema, mas é responsável por apresentar uma solução”.

Consequências, números e orientações para consumidores

O impacto já se traduz em prejuízos, como negativa de crédito, e em um aumento de reclamações. O site Reclame Aqui registra ao menos uma centena de relatos semelhantes apenas em janeiro deste ano, enquanto outras 324 reclamações foram feitas entre agosto e dezembro de 2025. No mesmo período de 2024, houve 76 registros sobre o tema, um aumento de 326%.

Especialistas orientam consumidores a pedir, por escrito, o contrato, o valor atualizado, quem está cobrando e qual banco originou a dívida. Se não houver contrato, trata-se de cobrança indevida, e o consumidor deve formalizar reclamação, gerar protocolo e exigir a interrupção da cobrança.

Se a instituição não resolver, a recomendação é registrar queixas em órgãos como Procon e Consumidor.gov, e, se necessário, recorrer ao Judiciário, seja ao Juizado Especial ou à Justiça comum.

O caso também se insere em investigação mais ampla, que envolve a compra de carteiras pelo BRB, operações anunciadas e rejeitadas pelo Banco Central, e apurações da Polícia Federal sobre possíveis fraudes em carteiras do Banco Master, incluindo transações da ordem de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade.

Enquanto as informações não forem regularizadas pelo administrador do banco em liquidação, o BRB afirma que seguirá cobrando a retomada do envio dos dados para normalizar os registros no menor prazo possível.

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