Metal sobe com busca por segurança após episódio do drone abatido e dúvidas sobre a autonomia do Federal Reserve, enquanto mercado aguarda dados de emprego e expectativa de cortes em 2026
O ouro voltou a subir nesta quarta-feira, renovando o forte movimento de alta visto na sessão anterior, em meio à piora das tensões entre EUA e Irã e incertezas sobre a política de juros americana.
Investidores buscaram proteção no metal, considerado porto seguro, após episódios geopolíticos e declarações que reacenderam dúvidas sobre a independência do banco central dos Estados Unidos, o Fed.
Por volta das 09h18 (horário de Brasília), o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido 5,9% na sessão anterior, conforme informação divulgada pelo g1
Por que o ouro voltou a ganhar força
O movimento é explicado pela combinação de riscos geopolíticos e pela incerteza sobre os juros nos EUA. No campo externo, as Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia, aumentando o apetite por ativos mais seguros.
Além disso, declarações do presidente americano reacenderam preocupações sobre a autonomia do banco central. Na segunda-feira, ele afirmou que a investigação envolvendo o presidente do banco central, Jerome Powell, deveria seguir até o fim, o que elevou a volatilidade dos mercados.
Dados e citações que explicam a alta
Segundo analistas, há uma soma de fatores por trás da demanda. Como disse Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, “Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”.
Os preços refletem também expectativa sobre os cortes de juros no futuro. Investidores projetam ao menos dois cortes de juros em 2026, e, nas palavras do analista do UBS, Giovanni Staunovo, “Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro”.
Na cotação, os contratos futuros do metal nos EUA, com vencimento em abril, registravam alta de 2,7%, negociados a US$ 5.068,90 por onça, enquanto o mercado aguardava a divulgação do relatório ADP de emprego no setor privado, que pode influenciar as decisões do Fed.
Volatilidade recente e desempenho no ano
O ouro vem de uma recuperação após forte correção. Na segunda-feira, o metal acumulou queda próxima de 10%, prolongando as perdas da sexta-feira anterior, no maior recuo em dois dias em décadas.
Apesar da oscilação, o metal ainda acumula valorização superior a 17% no ano, mostrando que, mesmo com episódios de venda, a tendência de busca por segurança mantém o ativo em patamares elevados.
Impacto sobre outros metais e o que observar
Entre os demais metais preciosos, a prata à vista subia 5,7%, cotada a US$ 90 por onça. No início da semana, o metal havia recuado para a mínima de um mês, a US$ 71,33, após ter alcançado um recorde histórico de US$ 121,64 na semana passada.
A platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subia 5,3%, a US$ 1.825. Esses movimentos mostram que o sentimento de risco e a busca por proteção estão alcançando diversos mercados de metais preciosos.
Os próximos dias serão influenciados pela divulgação de dados de emprego e pelo discurso de autoridades, que podem dar pistas sobre o ritmo de cortes de juros do Fed e, consequentemente, sobre o apelo do ouro como ativo de proteção.