quinta-feira, junho 4, 2026

Ouro sobe com escalada entre EUA e Irã e incerteza sobre juros do Fed, entenda por que metal avançou mais de 17% no ano e o que muda para investidores

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Tensão geopolítica e dúvidas sobre a independência do Fed impulsionam procura pelo ouro, com o metal reagindo após alta recorde e volatilidade nos futuros, influenciando estratégia para 2026

Ouro voltou a subir nesta quarta-feira, dando sequência ao forte avanço registrado na véspera, naquilo que foi apontado como o maior ganho diário do metal em 17 anos.

Investidores buscaram ativos considerados mais seguros diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, e com dúvidas sobre a política monetária americana, fatores que elevaram a demanda por ouro.

O episódio e os dados sobre juros formam o pano de fundo para a alta e para a volatilidade recente no mercado de metais preciosos, conforme informação divulgada pelo g1.

Movimento de mercado e preços

Por volta das 09h18, o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido quase 6% na sessão anterior.

Os contratos futuros do metal nos EUA, com vencimento em abril, registravam alta de 2,7%, negociados a US$ 5.068,90 por onça.

Apesar da recente volatilidade, o ouro ainda acumulava valorização superior a 17% no ano, mesmo depois de uma correção forte nas sessões anteriores.

Fatores por trás da alta

Analistas consultados destacam uma combinação de riscos como motor do movimento. Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, afirmou, “Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”.

No campo geopolítico, as Forças Armadas dos EUA informaram que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia, episódio ocorrido enquanto diplomatas tentavam viabilizar negociações nucleares entre os dois países.

Além disso, declarações do presidente americano reacenderam preocupações sobre a autonomia do Federal Reserve, ao afirmar que uma investigação envolvendo o presidente da instituição deveria seguir até o fim, elemento que alimentou incertezas sobre a política monetária.

Contexto de curto prazo e expectativas sobre juros

O ouro vinha de uma forte correção, com o metal acumulando queda próxima de 10% na sessão anterior, em grande parte diante de expectativas e notícias sobre nomeações para o Fed e ajustes de margem pela CME.

O mercado aguarda divulgação do relatório de emprego do setor privado nos EUA, o ADP, que pode dar pistas sobre os próximos passos da política de juros do Fed.

Investidores atualmente projetam ao menos dois cortes de juros em 2026, cenário que, segundo Giovanni Staunovo, analista do UBS, favorece o ouro, “Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro”.

Outros metais preciosos e impacto

Entre os metais correlatos, a prata à vista subia 5,7%, cotada a US$ 90 por onça, após ter recuado para a mínima de um mês no início da semana, a US$ 71,33, e depois de alcançar um recorde histórico de US$ 121,64 na semana anterior.

A platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subia 5,3%, a US$ 1.825.

Para investidores, a combinação de risco geopolítico e sinalizações divergentes sobre a política de juros eleva a atratividade do ouro, metal que, por não oferecer rendimento, se beneficia de juros mais baixos ou em queda.

Analistas recomendam acompanhar as avaliações sobre autonomia do Fed, os dados econômicos relevantes, e eventos no Oriente Médio, pois cada sinal pode ampliar a volatilidade e redefinir as oportunidades para quem acompanha o mercado de metais preciosos.

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