quinta-feira, junho 4, 2026

Preço do ouro dispara com escalada entre EUA e Irã e incerteza sobre juros do Fed, investidores buscam metal seguro enquanto contratos futuros sobem forte

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Com tensão entre Estados Unidos e Irã e dúvidas sobre a autonomia do Federal Reserve, o preço do ouro avança, contratos futuros sobem e outros metais seguem em alta

O ouro voltou a subir nesta quarta-feira, em continuação ao forte avanço registrado na véspera, numa reação de investidores em busca de segurança diante de riscos geopolíticos e incertezas sobre juros.

O movimento ocorre em meio a um episódio entre Washington e Teerã e a declarações que reacenderam dúvidas sobre a independência do banco central americano, fatores que aumentam a atratividade do metal.

Os números do mercado, citações de analistas e dados sobre contratos futuros e metais relacionados reforçam o cenário de aversão ao risco, conforme informação divulgada pelo g1

Movimentos e preços registrados no dia

Por volta das 09h18, o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido quase 6% na sessão anterior. Já os contratos futuros do metal nos EUA, com vencimento em abril, registravam alta de 2,7%, negociados a US$ 5.068,90 por onça.

Entre outros metais preciosos, a prata à vista subia 5,7%, cotada a US$ 90 por onça. No início da semana, o metal havia recuado para a mínima de um mês, a US$ 71,33, após ter alcançado um recorde histórico de US$ 121,64 na semana passada. A platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subia 5,3%, a US$ 1.825.

Fatores geopolíticos e preocupação com o Fed

No campo geopolítico, as Forças Armadas dos EUA informaram que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia, episódio ocorrido enquanto diplomatas tentavam viabilizar negociações nucleares entre os dois países.

Além disso, declarações do presidente americano reacenderam preocupações sobre a autonomia do Federal Reserve. Na segunda-feira, ele afirmou que a investigação envolvendo o presidente da instituição, Jerome Powell, deveria seguir até o fim, uma fala que contribuiu para aumentar a incerteza sobre a política monetária.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o movimento combina esses riscos, como resumiu Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, “Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”.

Expectativa sobre juros e impacto no preço do ouro

O mercado monitora dados econômicos que podem oferecer pistas sobre os próximos passos do Fed, como o relatório de emprego do setor privado nos EUA, ADP, previsto para mais tarde. Atualmente, investidores projetam ao menos dois cortes de juros em 2026.

O ouro costuma se beneficiar quando os juros estão baixos ou em queda, porque não oferece rendimento, e a expectativa de cortes tende a aumentar sua atratividade. Como afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS, “Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro”.

Volatilidade recente e perspectivas para o ano

O metal vem se recuperando após uma forte correção recente. Na segunda-feira, o metal acumulou queda próxima de 10%, prolongando as perdas da sexta-feira anterior, no maior recuo em dois dias em décadas. A pressão foi intensificada pela indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed e pelo aumento das exigências de margem para contratos futuros pela CME.

Apesar da volatilidade, o ouro ainda acumula valorização superior a 17% no ano, e analistas apontam que preços podem subir ao longo de 2026 se as expectativas de cortes de juros se confirmarem.

Em resumo, a combinação de riscos geopolíticos, preocupações sobre a independência do Fed e dados econômicos no radar mantém o preço do ouro como termômetro de aversão ao risco, com investidores atentos a cada movimento que possa alterar a trajetória das taxas de juros e, consequentemente, do metal.

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