quinta-feira, junho 4, 2026

Greve nos Correios: Justiça determina 80% de efetivo e proíbe bloqueios às vésperas do Natal

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Greve nos Correios: Justiça determina 80% de efetivo e proíbe bloqueios às vésperas do Natal

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que os sindicatos dos Correios mantenham **80% dos trabalhadores em atividade** em cada unidade da empresa, atendendo a um pedido da estatal que alegou risco de prejuízo à população. A decisão liminar também proibiu qualquer tipo de bloqueio à circulação de pessoas, encomendas e cartas, com multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

A paralisação parcial, que iniciou na noite de quarta-feira (16), ocorre em meio a negociações sobre salários e condições de trabalho. Segundo a ministra Kátia Magalhães Arruda, relatora do caso no TST, o direito de greve tem limites quando envolve serviços públicos essenciais, como os Correios. A manutenção da maior parte do efetivo se torna ainda mais crucial com a proximidade do Natal, período de forte aumento na demanda pelos serviços postais.

A decisão do TST ressalta que a greve foi deflagrada antes do encerramento das negociações, que seguem em andamento com mediação do próprio tribunal. Para a ministra, a paralisação compromete a boa-fé nas negociações, visto que havia um compromisso explícito de não haver greves enquanto o diálogo estivesse ativo. A medida liminar será analisada de forma definitiva após a apresentação das defesas pelos sindicatos.

Conforme informação divulgada pelo G1, os Correios informaram que a paralisação atingiu ao menos nove estados, mas destacaram que a **maioria dos sindicatos não aderiu ao movimento**, com cerca de 91% dos funcionários trabalhando normalmente em todo o país. Dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores da estatal, 24 não aderiram à paralisação.

Crise financeira e plano de socorro

A greve ocorre em um contexto de crise econômico-financeira sem precedentes para os Correios, que acumulam mais de 13 trimestres consecutivos de prejuízo. Em 2023, a estatal registrou um prejuízo de R$ 633 milhões, que aumentou para R$ 2,6 bilhões em 2024. As projeções indicam um déficit de R$ 6 bilhões até setembro de 2025, podendo chegar a R$ 10 bilhões no encerramento do ano.

Diante da situação, o governo tem discutido um plano de socorro aos Correios, que pode incluir um aporte direto de recursos ou a contratação de empréstimos bancários com garantia do Tesouro Nacional. Nesta quinta-feira (18), o Tesouro Nacional aprovou um pedido de empréstimo com garantias no valor de R$ 12 bilhões, como parte do plano de reestruturação da empresa. Caso os Correios não consigam honrar as parcelas, o Tesouro Nacional cobrirá a dívida.

Negociações e continuidade dos serviços

A ministra Kátia Magalhães Arruda, do TST, enfatizou que a manutenção do efetivo é necessária para garantir a **continuidade dos serviços essenciais**, especialmente em um período de alta demanda como o Natal. A decisão visa assegurar que a população não seja prejudicada pelas paralisações.

Os Correios reafirmaram em comunicado seu compromisso com o diálogo responsável e a sustentabilidade da empresa, buscando a construção de um consenso com as representações dos trabalhadores sob a mediação do TST. A estatal garante que **todas as agências estão abertas** e as entregas seguem sendo realizadas em todo o território nacional, com medidas contingenciais adotadas para mitigar eventuais impactos operacionais.

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