Em Washington, proposta de aliança de minerais críticos com os EUA reuniu 55 países, e Brasília diz que decisão sobre adesão será bilateral, gradual e com contrapartidas
O Brasil participou de um encontro em Washington nesta quarta-feira, quando o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, apresentou planos para reunir aliados em um bloco comercial focado em minerais estratégicos.
Fontes do Planalto informam que o país avalia eventuais formas de participação na aliança de minerais críticos, mas condiciona qualquer avanço a benefícios industriais e valor agregado para a economia brasileira.
O Itamaraty confirmou presença por meio da Embaixada em Washington, e autoridades dizem que a decisão não será tomada a curto prazo, exigindo tratamento bilateral e aprofundado, conforme informação divulgada pelo g1.
O que foi discutido em Washington
Na conferência, o vice-presidente JD Vance revelou a proposta de um bloco comercial para minerais críticos, em um momento de reforço de políticas americanas para garantir oferta de insumos essenciais.
O pacote estratégico norte-americano, chamado Projeto Vault, foi citado pelos organizadores, e inclui apoio financeiro significativo, Projet o Vault, apoiado por US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos e por US$ 2 bilhões em financiamento privado.
Segundo a narrativa da iniciativa, 55 países participaram das negociações em Washington, entre nações com diferentes capacidades de refino ou mineração.
Posição do Brasil e condições para adesão
Fontes governamentais afirmam que o Brasil está aberto a parcerias, desde que tragam valor agregado ao país e favoreçam a industrialização. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que ‘Quem quiser vai ter que industrializar o nosso país’.
O Itamaraty, ao confirmar a presença brasileira, evitou antecipar uma posição sobre adesão, e também destacou prioridades internas na negociação das condições.
O Ministério de Minas e Energia afirmou que está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais ‘em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país’.
A pasta acrescentou que ‘a atuação brasileira é pautada pelo fortalecimento da cooperação internacional, pela atração de investimentos, pelo desenvolvimento tecnológico e industrial no país e pela inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, em diálogo com diferentes parceiros, incluindo Estados Unidos, União Europeia, China e outros atores estratégicos’.
Potencial do Brasil e interesse externo
O país tem despertado interesse por seu potencial em minerais como terras raras, cobre, níquel e nióbio, recursos centrais para tecnologias verdes e para a indústria eletrônica global.
No caso das terras raras, o Brasil tem a segunda maior reserva global, atrás apenas da China, mas conta com poucos projetos em desenvolvimento. Essa combinação atrai investidas externas e consultas de comissões internacionais.
Representantes do setor, por meio do Instituto Brasileiro de Mineração, têm sido procurados por comitivas de diversos países, envolvendo mineradoras como Vale, BHP e Anglo American.
Próximos passos e impactos possíveis
O governo brasileiro avalia manter o diálogo, mas condiciona avanços a garantias de industrialização local e de inserção em cadeias de valor que tragam empregos e tecnologia.
Autoridades analisam, também, a possibilidade de levar o tema a uma eventual visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, se houver interesse por parte dos Estados Unidos.
Enquanto isso, a proposta americana busca consolidar fornecedores alternativos e reduzir dependência externa, com impactos potenciais sobre investimentos, políticas de conteúdo local e negociações comerciais nos próximos meses.