Governo brasileiro participou de reunião em Washington com o vice-presidente J.D. Vance sobre aliança de minerais críticos, avalia condições bilaterais e pede valor agregado às parcerias
O governo do Brasil participou nesta quarta-feira de um encontro em Washington em que o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, apresentou planos para reunir aliados em um bloco comercial de minerais críticos.
A administração anuncia que está aberta a diálogos, mas deixará a decisão sobre eventual adesão para um processo bilateral mais aprofundado, e não para uma definição rápida.
As informações foram compartilhadas em reportagens que agradecemos como referência, conforme informação divulgada pelo g1.
O que foi discutido em Washington
Segundo relatos à imprensa internacional, J.D. Vance detalhou a proposta de formar um agrupamento internacional para garantir oferta de minerais essenciais a indústrias estratégicas.
O movimento norte-americano ganha força após ações da China que abalaram mercados globais no ano anterior, levando Washington a acelerar iniciativas para assegurar cadeias de suprimento.
De acordo com a Reuters, o pacote estratégico lançado na segunda-feira ficou conhecido como Projeto Vault, e foi apoiado por US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos e por US$ 2 bilhões em financiamento privado.
Posição do Brasil, críticas e exigências
O Itamaraty confirmou à Reuters que o Brasil esteve presente ao encontro por meio da Embaixada em Washington, mas não detalhou como seria uma eventual adesão.
Fontes do Planalto informaram que o país está aberto a parcerias, desde que tragam valor agregado ao Brasil, e ressaltaram que, pela dimensão do tema, a questão precisa ser tratada bilateralmente, pois ‘uma decisão não será tomada de forma célere’.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou clara a condição de que o país não será apenas fornecedor de matéria-prima, ao afirmar que, em relação a minerais, ‘Quem quiser vai ter que industrializar o nosso país’.
O Ministério de Minas e Energia disse estar aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais, ‘em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país’, conforme manifestação citada à Reuters.
Potencial do Brasil e interesse internacional
O interesse externo sobre o Brasil cresce por causa do potencial geológico do país, com destaque para terras raras, cobre, níquel e nióbio.
No caso das terras raras, o relatório aponta que o Brasil tem a segunda maior reserva global, atrás apenas da China, embora haja poucos projetos em desenvolvimento no momento.
Comissões de diversas partes do mundo têm procurado mineradoras e marcado reuniões com o Instituto Brasileiro de Mineração, o Ibram, que representa empresas como Vale, BHP e Anglo American.
Próximos passos e cenário diplomático
Fontes do governo disseram que o Brasil se prepara para iniciar conversas sobre uma possível visita do presidente ao governo dos Estados Unidos, e que o tema dos minerais críticos poderá ser tratado nesse contexto, se for de interesse dos americanos.
Além do Brasil e dos Estados Unidos, a negociação envolvendo minerais críticos contou, segundo a Reuters, com a participação de 55 países, entre eles Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo, com diferentes capacidades de refino ou mineração.
O governo enfatiza que qualquer avanço dependerá de garantias de industrialização, transferência tecnológica e atração de investimentos que beneficiem a economia doméstica, e que as definições serão construídas em diálogo bilateral e multilateral nos próximos meses.