Superávit da balança comercial registra alta significativa em janeiro, com exports para China e México ajudando a sustentar o resultado frente ao impacto das sobretaxas dos EUA, segundo g1
A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 4,32 bilhões em janeiro, segundo informação divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O saldo positivo representou aumento de 85,8% na comparação com o mesmo mês de 2025, um incremento de +US$ 2,34 bilhões, e ficou entre os melhores resultados para meses de janeiro da série histórica.
O desempenho ocorreu mesmo com o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, já que o país conseguiu ampliar vendas para China, México e Oriente Médio, conforme informação divulgada pelo g1.
Detalhes dos números e setores
De acordo com o governo, em janeiro, as exportações totalizaram US$ 24,7 bilhões</b, com alta de 2,3% frente ao mesmo período de 2025, e as importações somaram US$ 20,4 bilhões</b, com queda de 12,5% na mesma comparação. Outra série divulgada pelo governo com média por dia útil indicou exportações de US$ 25,15 bilhões</b, alta de 3,8%, e importações de US$ 20,1 bilhões</b, queda de 5,5% na média por dia útil.
Entre os destaques das exportações, apareceram óleos brutos de petróleo: US$ 4,3 bilhões</b, com queda de 7,8%, minério de ferro: US$ 2,05 bilhões</b, com recuo de 8,6%, carne bovina: US$ 1,3 bilhão</b, com aumento de 42,5%, café não torrado: US$ 1,01 bilhão</b, com queda de 23,7%, e celulose: US$ 957 milhões</b, com queda de 6,1%.
Efeito do tarifaço dos EUA
O tarifaço implementado pelos Estados Unidos afetou vendas brasileiras ao mercado norte-americano, e as exportações brasileiras para os EUA recuaram para US$ 2,4 bilhões em janeiro</b deste ano, contra US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano passado, um recuo de 25,5%.
Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de produtos norte-americanos totalizaram US$ 3,07 bilhões em janeiro</b, com queda de 10,9% frente ao mesmo período de 2025, quando totalizaram US$ 3,44 bilhões. Com isso, a balança comercial com os EUA registrou um déficit de US$ 668 milhões no primeiro mês de 2026.
O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril, e incluiu uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil anunciada em agosto, apesar de uma extensa lista de exceções com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes. Com a aproximação entre Lula e Trump, negociações reduziram a lista, e, em novembro, foram retirados do tarifaço produtos como carne bovina, café, açaí e cacau, contudo parte da pauta segue tarifada.
Destinos das exportações e compensações
O avanço das vendas para outros mercados ajudou a compensar a perda com os EUA. Em janeiro, as exportações para a China cresceram 17,4%, para US$ 6,47 bilhões</b, enquanto para o México houve alta de 24,4%, para US$ 411 milhões</b, e para o Oriente Médio aumento de 31,6%, para US$ 1,78 bilhão</b.
Por outro lado, houve recuo nas vendas para blocos como o Mercosul, com -13,5% para US$ 1,45 bilhão</b, e para a União Europeia, com -6,2% para US$ 3,92 bilhões</b. Esse rearranjo de destinos foi determinante para o resultado agregado da superávit da balança comercial em janeiro.
O que muda a partir daqui
O resultado de janeiro indica que a balança comercial ainda responde fortemente a mudanças de tarifas e a realocação de mercados, e que a diversificação de destinos tem sido estratégia para sustentar o superávit da balança comercial.
Analistas e agentes do comércio externo seguirão atentos ao desfecho das negociações entre Brasil e EUA e à evolução da demanda chinesa, fatores que podem amplificar ou reduzir o impacto do tarifaço nas próximas leituras mensais.