quinta-feira, junho 4, 2026

Balança comercial registra superávit de US$ 4,32 bilhões em janeiro, sobe 85,8% e compensa ‘tarifaço’ dos EUA com vendas maiores à China e Oriente Médio

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Em janeiro, a balança comercial brasileira teve saldo recorde para o mês, com exportações em alta e importações em queda, apesar da redução das vendas aos EUA pelo tarifaço

O país registrou um movimento forte nas exportações que ajudou a conter os efeitos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, com aumento do saldo comercial frente ao ano anterior.

O resultado veio apoiado por vendas maiores para destinos como China, México e Oriente Médio, enquanto as remessas aos EUA recuaram por impacto tarifário.

As informações detalhadas sobre os valores e variações foram divulgadas pelo governo federal, conforme informação divulgada pelo g1.

Resultados e números principais

A balança comercial registrou superávit de US$ 4,32 bilhões em janeiro, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta quinta-feira (5).

Segundo os dados oficiais, houve um aumento de 85,8% no saldo positivo na comparação com o mesmo mês de 2025, com ganho de +US$ 2,34 bilhões.

O relatório também destaca que esse é o melhor resultado para meses de janeiro desde 2024, quando foi contabilizado um saldo positivo de US$ 6,2 bilhões, e é o segundo melhor janeiro desde o início da série histórica em 1989.

Exportações e importações, números e variações

De acordo com o governo, em janeiro, as exportações totalizaram US$ 24,7 bilhões, com alta de 2,3% frente ao mesmo período de 2025, enquanto as importações somaram US$ 20,4 bilhões, com queda de 12,5% na comparação anual.

Em outra medição por dia útil divulgada pelo governo, as exportações somaram US$ 25,15 bilhões, com alta de 3,8% na média por dia útil, e as importações somaram US$ 20,1 bilhões, com queda de 5,5% na média por dia útil.

Impacto do tarifaço dos Estados Unidos

O chamado tarifaço dos EUA pressionou vendas brasileiras ao mercado americano, com retrocesso nas exportações.

Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram para US$ 2,4 bilhões em janeiro deste ano, contra US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano passado, um recuo de 25,5%.

Ao mesmo tempo, as importações do Brasil provenientes dos EUA totalizaram US$ 3,07 bilhões em janeiro, com queda de 10,9% frente a janeiro de 2025, quando somaram US$ 3,44 bilhões, e a balança com os EUA registrou um déficit de US$ 668 milhões.

O tarifaço, implementado de forma gradual desde abril e com sobretaxa específica de 50% para o Brasil anunciada em agosto, teve ajustes e exceções ao longo dos meses, e algumas tarifas foram retiradas após negociações entre os dois presidentes, mas parte da pauta brasileira segue tarifada.

Desempenho por destinos e produtos

O avanço do saldo mensal só não foi pior por conta do desempenho em outros mercados, com destaque para a China e o Oriente Médio.

Exportações para blocos e regiões em janeiro ficaram assim, conforme dados oficiais, China +17,4%, para US$ 6,47 bilhões, Mercosul -13,5%, para US$ 1,45 bilhão, União Europeia -6,2%, para US$ 3,92 bilhões, México +24,4%, para US$ 411 milhões, e Oriente Médio +31,6%, para US$ 1,78 bilhão.

Entre os produtos, os principais valores divulgados foram, óleos brutos de petróleo US$ 4,3 bilhões, com queda de 7,8%, minério de ferro US$ 2,05 bilhões, com recuo de 8,6%, carne bovina US$ 1,3 bilhão, com aumento de 42,5%, café não torrado US$ 1,01 bilhão, com queda de 23,7%, e celulose US$ 957 milhões, com queda de 6,1%.

Perspectivas e observações finais

O resultado reforça que a balança comercial brasileira tem conseguido redirecionar vendas diante de barreiras tarifárias, com ganhos importantes em mercados alternativos, mesmo com retração em parceiros tradicionais.

Analistas e autoridades acompanharão se a recuperação para outros destinos se mantém nos meses seguintes e qual será o efeito de negociações diplomáticas sobre as tarifas que ainda incidem sobre produtos brasileiros.

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