quinta-feira, junho 4, 2026

Fraude contra o INSS, fábrica de identidades e saques: três mulheres condenadas por estelionato previdenciário, prejuízo superior a R$ 7 milhões e penas de até nove anos

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Investigação da Polícia Federal descreve criação de ‘kits’ com certidões, CPFs e títulos eleitorais entre 2012 e 2019, saques por impressões digitais e ressarcimento milionário

Três mulheres foram condenadas por fraude contra o INSS, em um esquema que, segundo a Polícia Federal, causou prejuízo estimado em mais de R$ 7 milhões.

As condenações ocorreram na 2ª Vara Federal Criminal de Vitória, e as penas chegam a nove anos de prisão, com valores de ressarcimento definidos pela Justiça.

Os detalhes do caso mostram uma operação organizada, com produção de documentos falsos, e seguem em investigação, conforme informação divulgada pelo g1.

Como funcionava a ‘fábrica’ de identidades

De acordo com a sentença, o grupo montou uma verdadeira fábrica de identidades fictícias, produzindo kits com certidões de nascimento, CPFs e títulos de eleitor de pessoas inexistentes.

As identidades eram, na maioria das vezes, registradas como de pessoas não alfabetizadas, o que permitia saques e provas de vida apenas com impressões digitais, sem assinatura.

A investigação começou após uma denúncia anônima que apontou o uso do nome falso “Vitória Fernandes Perez” por uma das rés para receber benefícios irregularmente.

Responsabilidades, condenações e valores

As rés são Sandra Maria Pereira de Oliveira, Ilma Itamar dos Santos e Graziela Conceição Lobato Falagan, denunciadas pelo Ministério Público Federal por estelionato previdenciário.

Segundo a decisão, Graziela coordenava a criação das identidades e a logística dos saques, Ilma atuava como braço operacional e fazia os saques pessoalmente, e Sandra teve participação isolada.

As condenações variaram conforme a participação, Graziela foi ligada a fraudes em 38 benefícios, Ilma a 13, e Sandra a 1, e a Justiça determinou ressarcimentos específicos.

Os valores fixados para ressarcimento ao INSS são, segundo a decisão: R$ 3.220.789,88 para Graziela Conceição Lobato Falagan, R$ 1.255.281,84 para Ilma Itamar dos Santos, e R$ 92.379,44 para Sandra Maria Pereira de Oliveira.

Andamento do processo e decisões recentes

O julgamento foi concluído em 21 de janeiro, e a sentença foi assinada pela juíza Flávia Rocha Garcia em 19 de dezembro de 2025, conforme os autos.

Em 2 de fevereiro, houve movimentação no processo, quando a defesa de uma das rés solicitou redução de pena alegando idade superior a 70 anos, pedido que foi aceito pela Justiça.

A Polícia Federal estima o prejuízo em mais de R$ 7 milhões, as investigações continuam em andamento, e, segundo o g1, a reportagem não localizou os advogados das acusadas, e o INSS não retornou aos contatos.

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