Na investigação da fraude milionária contra o INSS, Justiça aponta ‘fábrica’ de identidades entre 2012 e 2019, com produção de certidões, CPFs e saques de benefícios que somaram milhões
Três mulheres foram condenadas por participar de uma fraude milionária contra o INSS que criou identidades fictícias para receber benefícios previdenciários de pessoas inexistentes.
A decisão foi proferida pela 2ª Vara Federal Criminal de Vitória, e o julgamento foi concluído em 21 de janeiro. A Polícia Federal estima prejuízo superior a R$ 7 milhões, e as apurações seguem em curso.
As rés são Graziela Conceição Lobato Falagan, Ilma Itamar dos Santos e Sandra Maria Pereira de Oliveira, denunciadas pelo Ministério Público Federal por estelionato previdenciário.
conforme informação divulgada pelo g1.
Como o esquema funcionava
Segundo a sentença, o grupo montou uma verdadeira ‘fábrica’ de documentos falsos, produzindo kits com certidões de nascimento, CPFs e títulos de eleitor de pessoas que não existiam.
As identidades eram, em sua maioria, registradas como de pessoas não alfabetizadas, o que permitia saques e provas de vida apenas com impressões digitais, sem necessidade de assinatura, facilitando a retirada de benefícios.
De acordo com as investigações, Sandra chegou a usar o nome falso ‘Vitória Fernandes Perez’ para receber pagamentos, enquanto Graziela coordenava a criação das identidades e a logística dos saques.
Responsabilidades e confissão
Graziela foi apontada como a líder do esquema, coordenando a produção dos documentos e a distribuição das falsas identidades. Ilma atuava como braço operacional, indo até agências bancárias para sacar os benefícios usando documentos com a própria foto.
Em depoimento, Ilma teria confessado a participação por cerca de sete anos, seguindo orientações de Graziela, conforme consta na decisão judicial assinada pela juíza Flávia Rocha Garcia em 19 de dezembro de 2025.
Condenações e penas
As condenações variaram conforme a participação de cada ré. Graziela foi responsabilizada por fraudes relacionadas a 38 benefícios e recebeu pena de 9 anos, 7 meses e 16 dias.
Ilma foi condenada por fraudes em 13 benefícios, com pena de 7 anos e 13 dias. Sandra teve pena reduzida pela Justiça, ficando com 1 ano e 4 meses, após pedido da defesa que alegou idade avançada.
Ressarcimento ao INSS e desdobramentos
A Justiça determinou ainda o ressarcimento mínimo ao INSS, com valores estipulados conforme os danos apurados. Graziela deverá devolver R$ 3.220.789,88, Ilma R$ 1.255.281,84, e Sandra R$ 92.379,44.
Os montantes correspondem aos danos identificados e não afastam a aplicação de outras multas ou medidas que possam ser impostas durante a continuidade das investigações.
Andamento do processo
O caso começou por uma denúncia anônima e, segundo os autos, as fraudes ocorreram entre 2012 e 2019. As investigações da Polícia Federal continuam, e a defesa de uma das rés obteve redução de pena por motivo de idade.
O g1 informou que não conseguiu localizar os advogados das acusadas até a publicação da matéria, e o INSS foi procurado sem retorno, conforme registro da reportagem.