Queda do bitcoin para US$65 mil, perda de 24% no ano e retirada de mais de US$1 trilhão no mês, entenda como decisões políticas e mudança de sentimento derrubaram preços
O preço do bitcoin caiu para US$ 65 mil, valorização que representa o menor nível desde outubro de 2024 e uma queda de 24% desde o início do ano.
O movimento interrompe meses de alta que levaram a criptomoeda a um recorde de US$ 122 mil em outubro, e agora o mercado se ajusta a novas expectativas de política monetária e a sinais de menor apetite dos investidores.
Analistas citam, entre outros fatores, a nomeação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve e a perda de liquidez no mercado, fatores que favoreceram a realização de lucros e vendas em massa, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a queda
Especialistas apontam que a volatilidade do bitcoin sempre foi alta, mas a pressão recente foi, em parte, “desencadeada” pela escolha de Kevin Warsh para o comando do Fed, segundo analistas do Deutsche Bank citados pelo g1.
Com a expectativa de uma postura mais agressiva do banco central e de taxas de juros mais altas, ativos mais arriscados perdem atratividade frente ao dólar e aplicações tradicionais.
O Deutsche Bank observa uma tendência de baixa nos últimos quatro meses e afirma que “Essa venda constante, em nossa opinião, sinaliza que os investidores tradicionais estão perdendo o interesse, e o pessimismo geral em relação às criptomoedas está crescendo”.
Como as ações de governo influenciaram o mercado
O retorno de Donald Trump à presidência e sua agenda pró-cripto deram impulso ao mercado no ano anterior, com medidas como uma ordem executiva para transformar os EUA na “capital mundial das criptomoedas”, e ações que reduziram a fiscalização federal do setor, segundo o g1.
O governo Trump também lançou uma criptomoeda própria e manteve vínculo com a World Liberty Financial, além de sancionar uma lei que deu respaldo federal às criptomoedas, conforme apurado pelo g1.
Mesmo assim, a reversão recente mostra que apoio político não elimina riscos de mercado e de mudanças nas expectativas macroeconômicas.
Números e cenários citados por fontes do mercado
Relatos trazidos pelo g1 lembram que o bitcoin acumula 32% de baixa nos últimos 12 meses, e que outras criptomoedas, como ethereum e solana, caíram cerca de 37% até agora em 2026.
Segundo a CoinGecko, o mercado perdeu mais de US$ 1 trilhão apenas no último mês e US$ 2 trilhões desde o pico em outubro, números que mostram a dimensão da correção.
A casa de pesquisa Stifel alertou que os preços do bitcoin podem cair para até US$ 38 mil, e observou uma tendência de maior correlação entre criptoativos e a cotação do dólar americano.
Visões de analistas e o que os investidores devem observar
Do lado de gestoras focadas em cripto, há sinais de convicção na recuperação. William Barhydt, da Abra Capital Management, disse, traduzido do g1, “Eu não diria que elas precisam se recuperar, mas não consigo imaginar como isso não aconteceria”.
Barhydt acrescentou que “A única maneira de isso não acontecer é se acabarmos em algum tipo de guerra”, ressaltando que choques geopolíticos são um risco capaz de interromper uma eventual recuperação.
Entre os sinais a acompanhar estão decisões do Federal Reserve, fluxos de capital para e de fundos institucionais, e indicadores de liquidez do mercado, assim como movimentos nas políticas públicas que afetam regulação e transparência no setor.
O contexto atual mostra que o bitcoin transita de uma fase especulativa intensa para um período em que precisa encontrar um papel mais definido no universo financeiro, conforme avaliação do Deutsche Bank, citado pelo g1.