quinta-feira, junho 4, 2026

Caderneta de poupança registra retirada líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro, estoque cai a R$ 1 trilhão enquanto Selic atinge 15%, entenda

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Saques superaram depósitos em janeiro, com R$ 331,23 bilhões em depósitos e R$ 354,74 bilhões em retiradas, cenário reforça baixa atratividade da caderneta de poupança

As retiradas nas cadernetas de poupança superaram os depósitos em janeiro, resultando em uma saída líquida de R$ 23,5 bilhões no mês.

Com isso, o estoque total aplicado caiu de R$ 1,02 trilhão em dezembro para R$ 1 trilhão ao fim de janeiro, mostrando recuo no volume depositado.

O movimento de saques elevados no início do ano é recorrente e coincide com gastos como matrícula, material escolar, IPVA e IPTU, conforme informação divulgada pelo g1

Detalhes dos números de janeiro

Segundo os dados, os depósitos somaram R$ 331,23 bilhões em janeiro, enquanto as retiradas totalizaram R$ 354,74 bilhões, gerando a retirada líquida de R$ 23,5 bilhões no mês.

O Banco Central registrou a queda do estoque, que passou de R$ 1,02 trilhão em dezembro para R$ 1 trilhão no fim de janeiro, refletindo a diferença entre entradas e saídas.

Por que as retiradas são recorrentes em janeiro

O padrão de saques elevados no primeiro mês do ano se repete em 2023, 2024 e 2025, e está ligado aos gastos típicos do período, como matrícula e material escolar, impostos como IPVA e IPTU e compras de fim de ano parceladas.

Viagens de férias e o aumento das despesas domésticas no começo do ano também pressionam os saldos das cadernetas de poupança, fazendo com que muitas famílias recorram ao dinheiro aplicado.

Baixa atratividade da poupança diante de juros altos

Além das saídas sazonais, a caderneta de poupança tem perdido competitividade frente a outras aplicações. Com a taxa Selic em 15% ao ano, alternativas como títulos públicos, papéis de empresas e investimentos atrelados ao CDI têm apresentado desempenho superior.

Com as regras vigentes, quando a taxa Selic ultrapassa 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial, a TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados.

Investimentos mais arriscados também se recuperaram em 2025, e o índice da Bolsa de Valores de São Paulo teve uma disparada de 34%, o maior avanço anual desde 2016, o que atrai recursos que poderiam ir para a poupança.

Impactos para famílias e para o sistema financeiro

O Banco Central também informou que a inadimplência bancária fechou o ano passado em nível recorde, e o endividamento das famílias segue elevado, fatores que explicam parte das retiradas em busca de liquidez.

Para muitos poupadores, a combinação de juros altos, baixa rentabilidade da poupança e necessidades de curto prazo pressiona decisões financeiras, e a tendência é que a caderneta continue perdendo espaço enquanto existirem alternativas com rendimento superior.

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