quinta-feira, junho 4, 2026

Argentina quer flexibilizar regras do Mercosul para permitir que países do bloco firmem acordos comerciais bilaterais com mais liberdade, incluindo acordo com os EUA que reduz tarifas

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Proposta de flexibilização no Mercosul visa permitir que membros celebrem acordos comerciais bilaterais com menos restrições internas, atraindo investimentos e parcerias estratégicas

A Argentina anunciou uma iniciativa para aumentar a flexibilidade do Mercosul, com objetivo de facilitar a assinatura de acordos comerciais pelos países do bloco, reduzindo barreiras internas e ampliando a liberdade de negociação.

O tema foi abordado pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, em entrevista coletiva sobre o acordo anunciado entre Argentina e Estados Unidos, que prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos.

Quirno disse que “Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, e ressaltou que a negociação com os EUA não impede participação chinesa em investimentos na mineração argentina, conforme informação divulgada pelo g1.

O que disse o chanceler e o alcance da proposta

Segundo Pablo Quirno, a proposta busca tornar o Mercosul mais flexível para que cada país possa fechar acordos segundo suas prioridades, sem romper a estrutura do bloco. A frase citada do ministro, “Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, foi proferida à imprensa durante a coletiva, e reforça a ideia de que os países terão margem para negociações próprias.

Principais pontos do acordo com os EUA citados na coletiva

O acordo Argentina-EUA apresentado prevê cooperação e investimentos dos Estados Unidos em toda a cadeia do setor argentino, da exploração ao refino, processamento e exportação de materiais críticos, alinhado à estratégia americana de reduzir dependência de fornecedores externos.

O documento divulgado indica que o tratado não entra em vigor na assinatura, passando a valer 60 dias após a troca de notificações por escrito que confirmem os trâmites legais internos, ou em outra data acordada entre as partes. Após vigência, a Argentina deverá zerar tarifas ou reduzi-las para cerca de 2% em milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.

Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre outros bens. O embaixador e negociador comercial americano, Jamieson Greer, afirmou que a expectativa é expandir negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas.

China, mineração e possíveis reduções sobre alumínio e aço

Quirno afirmou que o tratado com os EUA não impede investimentos chineses no setor de mineração da Argentina. Ele também informou que os presidentes Donald Trump e Javier Milei continuarão avaliando possibilidade de reduzir tarifas sobre o alumínio e o aço argentinos, o que pode abrir novas áreas de cooperação e competição.

Impactos esperados para o Mercosul e próximos passos

A proposta de maior flexibilidade no Mercosul tende a provocar debates entre os parceiros do bloco sobre equilíbrio entre integração regional e autonomia nacional para fechar acordos bilaterais. A aplicação prática das mudanças e a posição dos demais integrantes do bloco ainda dependerão de negociações internas e de como os países equacionarão interesses setoriais e tarifários.

As medidas anunciadas e os detalhes do acordo com os EUA devem seguir em processo de tramitação interna, e a entrada em vigor, caso confirmada, ocorrerá conforme os prazos e condições previstas no próprio documento.

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