Governo argentino pretende flexibilizar regras para que países do bloco fechem acordos comerciais do Mercosul, abrindo portas a investimentos e redução de tarifas
O governo da Argentina anunciou que quer diminuir barreiras para que parceiros do bloco possam negociar acordos bilaterais com mais liberdade, visando atrair investimentos e ampliar exportações.
As declarações foram feitas pelo ministro Quirno em coletiva, após a divulgação do tratado firmado entre Argentina e Estados Unidos, que prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos.
A mudança proposta busca dar maior flexibilidade à política externa comercial, sem impedir que outros países também participem de projetos na Argentina.
conforme informação divulgada pelo g1
O que disse o governo e a flexibilização
Em resposta a jornalistas, o ministro resumiu a nova postura com a frase, “Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, disse Quirno a jornalistas.
Ele também afirmou que a negociação com os EUA não impede que a China participe de investimentos no setor de mineração da Argentina, e que a administração terá margem para avaliar parcerias variadas.
Quirno acrescentou que Trump e o presidente Javier Milei continuarão a avaliar a possibilidade de reduzir as tarifas sobre o alumínio e o aço argentinos, indicando que algumas medidas dependem de negociações bilaterais adicionais.
Principais pontos do acordo com os EUA
Segundo o texto do acordo, haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina, desde a exploração até o refino, processamento e exportação, e o documento aponta para a redução de “barreiras comerciais de longa data” e maior acesso ao mercado argentino para exportadores dos EUA.
O documento divulgado pelo governo dos EUA informa que o acordo não entra em vigor imediatamente após a assinatura, ele só passa a valer 60 dias depois da troca de notificações por escrito que confirmem a conclusão dos trâmites legais internos, ou em outra data que os países definirem.
Após entrar em vigor, o acordo prevê que a Argentina zere ou reduza para cerca de 2% as tarifas aplicadas a milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.
Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para determinados produtos agrícolas argentinos e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens, segundo o material divulgado.
Impacto, setores e próximos passos
O embaixador americano e negociador comercial, Jamieson Greer, disse que a expectativa é ampliar negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas, com impacto direto em exportações e investimento produtivo.
Para a Argentina, a proposta de flexibilização das regras do bloco implica acelerar acordos bilaterais, e os acordos comerciais do Mercosul podem ser interpretados com mais liberdade, desde que as negociações respeitem trâmites internos e decisões soberanas dos países envolvidos.
Analistas apontam que o ajuste nas regras do Mercosul pode aumentar a competição por investimentos, ao mesmo tempo em que levanta debates sobre coordenação regional e proteção de setores estratégicos.