Plano de capital do BRB detalha medidas preventivas para recomposição em até 180 dias, com opções como FII, empréstimo ao FGC ou aporte direto dos controladores
O Banco de Brasília entregou ao Banco Central um Plano de Capital com medidas para reforçar, se necessário, o patrimônio da instituição.
A entrega foi feita presencialmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em reunião de duas horas na sede do Banco Central, em Brasília, com participação do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.
O BRB afirma que os valores só serão confirmados após a conclusão das investigações em andamento, e o Banco Central estima um aporte mínimo de R$ 5 bilhões, considerando a situação atual do banco, conforme informação divulgada pelo g1.
O que diz o plano e as comunicações oficiais
Em nota, o BRB oferece um texto formal sobre a entrega do documento e as medidas previstas, incluindo trechos divulgados pela própria instituição.
Segundo a nota, “O BRB informa que entregou, na tarde de hoje, ao Banco Central, o Plano de Capital da instituição. O documento foi entregue pelo presidente do Banco, Nelson Antônio de Souza. A reunião contou também com a participação do Secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, que reforçou o compromisso do Governo do Distrito Federal, acionista controlador do Banco, com as medidas apresentadas e com a solidez do Banco.”
A nota acrescenta que “o documento entregue pelo BRB ao órgão regulador apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro” e que “O BRB destaca que eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento“.
Por que o plano foi necessário
O reforço de capital foi decidido após inconsistências identificadas nas operações com o Banco Master, que fragilizaram o balanço do BRB e motivaram investigações.
Relatos investigativos e auditorias apontaram que o BRB gastou bilhões para adquirir carteiras de crédito do Master, e que essas carteiras, segundo apuração, haviam sido compradas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor.
Na apuração constam números relevantes, conforme as informações disponíveis, entre 2024 e 2025 o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, e o Ministério Público aponta indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.
Também foi divulgado que parte das operações envolveu ativos comprados por valores muito inferiores, por exemplo, carteiras que teriam sido adquiridas pelo Master por R$ 6,7 milhões e revendidas ao BRB por R$ 12,2 bilhões, e que cerca de R$ 12 bilhões foram vinculados a carteiras de crédito consideradas podres, sem garantias financeiras.
Como o BRB prevê recompor capital
Os detalhes do plano permanecem em sigilo entre o BRB e o Banco Central, mas o próprio banco listou alternativas estudadas para recomposição do patrimônio.
Entre as opções apontadas estão a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e aporte direto dos controladores.
O governo do DF é o acionista controlador do BRB, e detém 71,92% do capital do banco, portanto qualquer medida que afete o caixa distrital, como aporte direto, deve passar por avaliação e, possivelmente, pelo aval político da Câmara Legislativa do DF.
Riscos, investigações e próximos passos
Técnicos consultados indicam que não há risco iminente de falência ou liquidação do BRB, em parte porque o acionista controlador é o governo do Distrito Federal, com capacidade patrimonial para suportar medidas de socorro.
Mesmo assim, o reforço de capital é visto como necessário para cumprir as regras mínimas de solidez do sistema bancário e para recuperar a confiança do mercado.
O caso do Master segue sob investigação, com apurações conduzidas por autoridades como a Polícia Federal e o Ministério Público, e o BRB também informou ter enviado relatórios às autoridades competentes, enquanto o Banco Central acompanha as medidas e o cumprimento do prazo de implementação do plano.