Volkswagen pode voltar ao Salão do Automóvel em 2027, mas evento precisa ser mais atrativo e inovador
A possibilidade de a Volkswagen retornar ao Salão do Automóvel em 2027 está diretamente ligada a uma mudança significativa no formato e na força do evento. Segundo Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, a ausência de diversas marcas importantes prejudicou o impacto da feira nas edições recentes.
Possobom afirmou, em entrevista exclusiva ao g1, que a montadora não se arrepende de ter ficado de fora. Ele ponderou que o modelo atual de salão, com estandes menores e em um formato de ‘galpão fechado’, pode não ser o que o público deseja.
Para que a Volkswagen considere um retorno, o evento precisa ser mais ‘forte’, o que, na visão do executivo, significa a presença de todas as montadoras. Ele citou exemplos de eventos na Europa com formatos mais dinâmicos e abertos ao público em praças, contrastando com o modelo tradicional de feira automotiva. Conforme informação divulgada pelo g1, outras marcas como Audi, BMW, Chevrolet, Ford, Jaguar, Land Rover, Mercedes, Nissan, Porsche e Volvo também optaram por não participar do evento em 2025, reforçando a necessidade de uma reestruturação.
Brasileiro prefere SUV, mas hatch ainda tem seu espaço
A preferência do consumidor brasileiro por SUVs é clara, com estes veículos representando 54% das vendas de carros zero quilômetro desde 2020, enquanto os hatches respondem por 24,6%. A Volkswagen reflete essa tendência em seu portfólio, oferecendo seis modelos de SUV, contra dois hatches.
Apesar da predominância dos SUVs, Possobom ressalta que o mercado de hatches continua sendo importante. Ele destacou o sucesso do novo SUV da marca, o Tera, que teve uma recepção avassaladora, com 12.200 unidades vendidas em menos de uma hora após a abertura de encomendas, superando as expectativas e esgotando a capacidade de produção inicial. O Tera divide a linha de montagem na fábrica de Taubaté (SP) com o Polo.
Eletrificação da Volkswagen: estratégia focada em híbridos flex
Atualmente, a Volkswagen não oferece carros elétricos ou híbridos para compra direta no Brasil, com exceção de modelos como o ID.4 e o ID.Buzz, disponíveis apenas por assinatura. Possobom explicou que eletrificar a linha atual encareceria os veículos, tornando-os inacessíveis para uma parcela significativa do público. Um modelo como o Tera, que custa em média R$ 120 mil, teria seu preço elevado em R$ 10 mil a R$ 40 mil com a introdução de tecnologias híbridas.
A estratégia da Volkswagen para os próximos anos é focar em modelos híbridos flex, considerando o longo tempo que os brasileiros mantêm seus carros e a forma como utilizam os veículos. A marca promete que todos os lançamentos de 2026 terão pelo menos uma versão eletrificada, priorizando soluções híbridas que se adaptam melhor ao uso diário e às necessidades do consumidor nacional, além de considerar o valor residual dos veículos a longo prazo. A Volkswagen acredita que os híbridos são a melhor solução para o mercado brasileiro.
Fatores que poderiam impulsionar o mercado automotivo
O mercado automotivo brasileiro deve encerrar 2025 com 2,55 milhões de veículos zero quilômetro emplacados, um crescimento de 3% em relação ao ano anterior, segundo a Fenabrave. No entanto, Ciro Possobom aponta que o resultado poderia ser ainda melhor com a redução dos juros, o aumento da produção nacional e uma regulamentação mais flexível.
Ele enfatizou que juros mais baixos são cruciais para impulsionar as vendas. Além disso, ampliar a capacidade de produção nacional, segundo Possobom, baratearia os custos e tornaria os carros mais competitivos. A legislação de emissões de poluentes no Brasil, considerada mais rigorosa que na Europa e nos Estados Unidos, também adiciona custos aos veículos, impactando o preço final para o consumidor.