quinta-feira, junho 4, 2026

Buscas por mineradores sequestrados em mina da Vizsla Silver em Pánuco, Sinaloa, localizam valas comuns e corpos, investigam ligação com Cartel de Sinaloa

Share

Operação de busca por mineradores sequestrados mobiliza forças federais e estaduais, encontra valas comuns, acampamentos e ao menos um corpo com características similares às vítimas

Autoridades do México intensificaram buscas depois do sequestro de dez trabalhadores de uma mina da empresa canadense Vizsla Silver, ocorrido em 23 de janeiro.

Equipes reportaram a localização de dez acampamentos ligados ao crime organizado e duas valas comuns no povoado de El Verde, próximos à mina em Pánuco, na região de Concordia, no noroeste do país.

Os detalhes foram reunidos e divulgados em reportagens recentes, conforme informação divulgada pelo g1.

O que as buscas revelaram

A mobilização, descrita como a maior já feita em Sinaloa para localizar pessoas desaparecidas, envolveu mais de mil agentes de segurança, segundo relatos das autoridades locais.

Durante as operações, foram encontrados dez acampamentos ligados ao crime organizado nas proximidades da mina, e resgatadas duas valas comuns no povoado de El Verde, de onde saíram corpos e restos mortais.

Segundo a Procuradoria-Geral mexicana, um dos corpos encontrados apresenta “características semelhantes” às de um dos trabalhadores raptados, e passa por processos de identificação.

Contexto do sequestro e disputa entre facções

O sequestro dos dez mineradores ocorreu em um acampamento na área do projeto da Vizsla Silver em Pánuco, e a região vem sofrendo escalada de violência desde 2024, com confronto entre facções do Cartel de Sinaloa.

O governo mexicano apontou que as facções em disputa são Los Mayos e Los Chapitos, sendo Los Chapitos a que domina a área da mina, que reúne depósitos de prata, ouro, chumbo e zinco e, segundo analistas, atrai criminosos interessados em sequestros e extorsões.

Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltaram que até então os alvos eram garimpeiros artesanais, e que agora trabalhadores e engenheiros de uma mineradora transnacional passaram a ser visados, o que aumenta a pressão sobre as autoridades.

Impacto nas comunidades locais

Moradores de comunidades vizinhas relataram medo e abandono, com cerca de 200 pessoas deixando o vilarejo de Pánuco por temerem represálias e pressões para revelar informações sobre o paradeiro dos mineradores.

Roque Vargas, morador de Chirimoyos, afirmou, “Tememos que o governo nos pressione para revelar o paradeiro dos mineradores. Não temos nenhuma relação com facções criminosas”, expressando o receio generalizado nas comunidades.

Integrantes de coletivos de busca que participam das investigações descreveram cenas perturbadoras, incluindo veículos que transportaram restos mortais. Marisela Carrizales relatou, “Os veículos saíram com corpos em decomposição, com um cheiro muito forte”, comentário que ilustra a gravidade das descobertas.

Próximos passos da investigação

As autoridades continuam as buscas e os procedimentos de identificação dos restos encontrados, enquanto mantêm o cerco às facções envolvidas e investigam a rede de acampamentos localizados.

A operação inédita em escala em Sinaloa busca responsabilizar os envolvidos e recuperar os trabalhadores, e segue sendo acompanhada por familiares e organizações locais preocupadas com a segurança na região.

Leia Mais

Fique por dentro