Moncler patrocina Brasil nos Jogos de Inverno, aposta em Lucas Braathen e nos uniformes da seleção para fortalecer a linha Grenoble, identidade e performance
A Moncler, marca de luxo italiana, decidiu apoiar oficialmente a delegação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, numa estratégia que privilegia narrativa e identidade, mais do que a lógica tradicional das medalhas.
A escolha inclui patrocínio ao atleta Lucas Pinheiro Braathen e a assinatura dos uniformes da equipe brasileira, com referências à bandeira nacional incorporadas ao design técnico das peças.
Especialistas destacam que a decisão combina performance esportiva com uma história cultural atraente, reforçando a linha de alta performance da marca, a Grenoble, e o reposicionamento da Moncler no universo do esporte, conforme informação divulgada pelo g1.
A aposta inesperada
A opção da Moncler foge do roteiro previsível em que grifes apoiam as potências do gelo, e mira em uma narrativa menos óbvia, associando a marca a um atleta com identidade multicultural.
O nome no centro da estratégia é Lucas Pinheiro Braathen, nascido na Noruega, filho de mãe brasileira, que voltou às pistas representando o Brasil após breve aposentadoria e disputas com a federação norueguesa.
Hoje, Braathen ocupa a vice-liderança do ranking da Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante, provas que disputará em Milão-Cortina entre 14 e 16 de fevereiro, segundo o g1.
Narrativa, identidade e a linha Grenoble
A Moncler aposta na sua linha Grenoble, dedicada à alta performance e historicamente ligada a eventos de inverno, para reforçar uma imagem que una moda e esporte.
A escolha busca resgatar uma herança, já que Grenoble foi sede dos Jogos de Inverno de 1968, última edição com associação direta da marca, e ao mesmo tempo projetar o futuro da Moncler no universo da montanha.
Para Victor Dellorto, especialista em marketing, “A história de Lucas é, por si só, um ativo estratégico. Ele combina performance real com uma narrativa cultural potente, algo que marcas de luxo buscam cada vez mais”, afirma o consultor ao g1.
Em outra observação, Dellorto resume o novo olhar das marcas, “Hoje, as marcas não disputam apenas medalhas, mas significado”, conforme registrado pelo g1.
Riscos e cálculo pragmático
Ao escolher o Brasil, a Moncler assume riscos, já que o país não tem tradição em esportes de inverno e a visibilidade por pódios pode ser menor frente às potências tradicionais.
Marcos Henrique Bedendo, especialista em branding, pondera que a decisão pode ter sido pragmática, não apenas ideológica, “Talvez não exista um aceno ao Brasil. A Moncler pode ter identificado uma oportunidade rara: um atleta competitivo, com potencial de medalha, disponível em uma delegação menos disputada por patrocinadores”, disse Bedendo ao g1.
Bedendo acrescenta sobre custos e exposição, “Patrocinar seleções tradicionais é caro e disputado. Ao apostar no Brasil, a marca pode ter conquistado exposição global e o direito de assinar um uniforme olímpico com investimento menor”, cita o g1.
Impacto para a marca e para o Brasil
Mesmo se o resultado competitivo não vier, especialistas afirmam que a Moncler já ganha ao demonstrar proximidade cultural com o público brasileiro e ao criar uma narrativa única associada à sua linha Grenoble.
Se Braathen conquistar uma medalha, o feito será histórico para o Brasil e ampliará o impacto da estratégia da Moncler, completa Bedendo, segundo o g1.
Ao apostar em uma história improvável, multicultural e fora do eixo tradicional, a Moncler busca diferenciação num mercado de luxo que valoriza autenticidade, engajamento e memória de marca, mais do que a simples contagem de medalhas.