quinta-feira, junho 4, 2026

Moncler patrocina Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno 2026, aposta em Lucas Braathen e troca potências do gelo por narrativa, identidade e performance de marca

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Moncler patrocina Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno 2026, com linha Grenoble e uniformes que incorporam símbolos nacionais, aposta em história, autenticidade e alta performance

A Moncler, grife italiana conhecida por suas jaquetas e pela linha de alta performance Grenoble, decidiu patrocinar a delegação do Brasil para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina.

A escolha foge da lógica comum do patrocínio esportivo, que privilegia seleções e atletas das potências do gelo, e aposta em narrativa, identidade multicultural e conexão com novos públicos.

Segundo as informações divulgadas nas reportagens, a estratégia inclui também a assinatura dos uniformes da equipe brasileira, com referências sutis à bandeira e à identidade nacional, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que a Moncler escolheu um atleta ligado ao Brasil

A aposta da Moncler se ancora em um nome que cruza culturas, talento e história pessoal, Lucas Pinheiro Braathen, nascido na Noruega, filho de mãe brasileira, e hoje vice-líder do ranking da Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante.

Braathen chegou a anunciar aposentadoria precoce em 2023, voltou às competições um ano depois e agora representa o Brasil nas provas de 14 a 16 de fevereiro, com a possibilidade de disputar uma medalha histórica para o país.

A aproximação entre atleta e marca está ligada à linha Grenoble, segmento da Moncler voltado para o universo da montanha e da alta performance, e à tentativa de resgatar uma herança, já que Grenoble sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de 1968, última edição com associação direta da Moncler ao evento.

Narrativa, mercado de luxo e posição estratégica

Para especialistas consultados pelas reportagens, a escolha tem mais a ver com sentido de marca do que com um racional estritamente de pódios. Victor Dellorto afirmou, ao comentar a iniciativa, “A história de Lucas é, por si só, um ativo estratégico. Ele combina performance real com uma narrativa cultural potente, algo que marcas de luxo buscam cada vez mais”.

O movimento está alinhado a uma tendência no mercado de luxo, em que se valoriza autenticidade e histórias com identificação emocional, e não apenas vitórias. Segundo Dellorto, “Hoje, as marcas não disputam apenas medalhas, mas significado”.

Para a Moncler, associar a linha Grenoble a uma trajetória de reinvenção e identidade permite reforçar seu posicionamento entre moda e performance, criando diferenciação em um cenário onde muitos patrocinadores se concentram nas mesmas potências esportivas.

Riscos e benefícios da aposta em uma delegação sem tradição no gelo

Especialistas também apontam riscos. Marcos Henrique Bedendo observou que “Talvez não exista um aceno ao Brasil. A Moncler pode ter identificado uma oportunidade rara: um atleta competitivo, com potencial de medalha, disponível em uma delegação menos disputada por patrocinadores”.

Patrocinar seleções tradicionais costuma ser caro e muito disputado, o que eleva o custo de entrada. Ao optar pelo Brasil, a marca pode ter conseguido exposição global e o direito de assinar um uniforme olímpico com investimento menor, conforme avalia Bedendo, “Patrocinar seleções tradicionais é caro e disputado. Ao apostar no Brasil, a marca pode ter conquistado exposição global e o direito de assinar um uniforme olímpico com investimento menor”.

Mesmo sem pódio, a Moncler ganha ao demonstrar sensibilidade cultural e proximidade com o público brasileiro, segundo analistas, e constrói um vínculo de longo prazo com consumidores em expansão no mercado de luxo no país.

Impacto para o esporte brasileiro e para a Moncler até Milão-Cortina

Se Braathen subir ao pódio, o impacto será enorme, porque seria a primeira medalha olímpica de inverno da história do Brasil, e ampliaria rapidamente o alcance da estratégia da Moncler.

Mesmo sem uma medalha, a marca já ocupa um espaço singular ao contar uma história diferente, combinando performance, multiculturalidade e design técnico com referências nacionais nos uniformes.

O caso ilustra uma mudança no branding esportivo, em que narrativas autênticas e identidades complexas passam a valer tanto quanto resultados imediatos, e mostra como marcas de luxo buscam caminhos alternativos para se conectar com audiências globais.

Até a abertura das provas em Milão-Cortina, a aposta da Moncler em Brasil e em Lucas Braathen será um dos exemplos mais observados de como narrativa, identidade e performance podem transformar uma estratégia de patrocínio esportivo.

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