Autoridade planeja penalidade máxima de 121 milhões de shekels, apontando monopólio em rotas internacionais e aumentos de até 31% nas tarifas durante o período de conflito
A Autoridade de Concorrência de Israel anunciou que pretende aplicar uma multa máxima de 121 milhões de shekels, equivalente a US$ 39 milhões, contra a companhia aérea nacional El Al, por praticar tarifas consideradas excessivas e injustas durante a guerra em Gaza.
Segundo o órgão, a investigação abrangeu o período de 7 de outubro de 2023 a maio de 2024, quando a empresa operou em regime de monopólio em grande parte de suas rotas internacionais, cobrando preços significativamente mais altos.
O estudo apontou um aumento médio de 16% nas passagens, com picos de até 31% em alguns trechos, cenário que motivou a ação antitruste e a imposição da multa máxima prevista em lei, conforme informação divulgada pelo g1.
Como a Autoridade justificou a multa
De acordo com o comunicado da Autoridade de Concorrência, os aumentos verificados foram excessivos e injustos, justificando a medida coercitiva. O órgão destacou que a liberdade de circulação para entrar e sair de Israel é um direito fundamental, e que, dadas as circunstâncias da guerra, esse direito se tornou ainda mais essencial.
Na avaliação da autoridade, a retirada temporária de muitas companhias aéreas estrangeiras deixou os consumidores quase completamente dependentes da El Al para rotas essenciais nos primeiros meses de combate.
Rotas e alcance da investigação
O relatório identificou que a El Al operava em regime de monopólio em 38 das 53 rotas analisadas, incluindo voos para destinos como Nova York, Londres, Paris, Bangkok e outras cidades nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.
A autoridade também afirmou que as constatações de “especulação excessiva de preços” são usadas com cautela pelas agências de concorrência em todo o mundo, mas que os fatos apurados, no caso, justificam a ação.
Defesa da El Al e próximos passos
A própria El Al respondeu que “rejeita categoricamente” a acusação de cobrança de preços excessivos durante a guerra e informou que apresentará seus argumentos em audiência futura.
Em nota, a companhia afirmou, em tradução, “Mesmo que se aceite a posição da Autoridade da Concorrência, segundo a qual o aumento médio de preços durante a guerra foi de 16% […] um valor que consideramos incorreto, não existe precedente para determinar que tal aumento constitua preços excessivos”.
A empresa acrescentou que “A El Al apresentará sua posição completa na audiência e em qualquer fórum legal apropriado, e está confiante de que sua posição será aceita”.
Impacto financeiro e contexto do mercado
O episódio ocorre após um período de forte rentabilidade para a aérea, que registrou em 2024 um lucro líquido de US$ 545 milhões, quase cinco vezes superior ao ano anterior, e lucros de US$ 364,1 milhões nos primeiros nove meses de 2025.
Embora outras companhias israelenses menores, como Arkia e Israir, também tenham operado durante o conflito, a combinação entre retirada temporária de concorrentes internacionais e a preferência de consumidores por voos da El Al, por receio de cancelamentos, foi citada como fator que manteve as tarifas elevadas.
O caso seguirá para audiência, quando a El Al terá oportunidade formal de se defender, e a Autoridade de Concorrência poderá então confirmar, reduzir ou ajustar a penalidade aplicada.