Crise no governo por nomeação de Peter Mandelson ligada ao caso Epstein, com mandados em Wiltshire e Camden, saída de Morgan McSweeney e risco de expulsão da Câmara dos Lordes
O chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Morgan McSweeney, renunciou após assumir responsabilidade por ter aconselhado a indicação de Peter Mandelson como embaixador em Washington.
McSweeney disse que a escolha foi um erro e pediu para sair, enquanto cresce a pressão sobre o premiê Keir Starmer e a credibilidade do governo.
As revelações e as buscas da polícia em endereços ligados a Mandelson aprofundaram a crise, conforme informação divulgada pelo g1
Por que McSweeney deixou o cargo
Em comunicado, Morgan McSweeney afirmou, "A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política", e completou, "Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho."
A saída foi motivada por críticas internas e externas de que ele não teria garantido checagens de antecedentes adequadas antes da nomeação, e por sua relação próxima com Mandelson, descrita por críticos como favorecimento.
Buscas da polícia e renúncia de Mandelson
A polícia cumpriu mandados em dois endereços ligados a Peter Mandelson, um na região de Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outro em Camden, em Londres.
Mandelson renunciou à Câmara dos Lordes na última terça-feira, após novas revelações sobre ligações ao caso Epstein, e já havia se desvinculado do Partido Trabalhista antes da renúncia.
Acusações e ações do governo
O governo informou que preparava legislação para expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes e retirar o título de nobreza, e que enviou um dossiê à polícia com alegações de que Mandelson teria repassado informações sensíveis a Jeffrey Epstein.
O premiê Keir Starmer defendeu McSweeney na última semana, e em comunicado disse que foi "uma honra" trabalhar com ele, posição que suscitou ainda mais questionamentos sobre o julgamento político envolvido.
Impacto político e próximos passos
A renúncia de McSweeney é vista como a crise mais grave enfrentada por Starmer em seus 18 meses de governo, e lança dúvidas sobre a estabilidade da maioria trabalhista obtida nas eleições.
As investigações policiais continuam, e o governo promete divulgar e‑mails e documentos relacionados à nomeação de Mandelson para demonstrar as circunstâncias da indicação.
Com as buscas e o dossiê à polícia, o caso tende a gerar novos desdobramentos judiciais e políticos, e a pressão pública sobre o governo deve permanecer alta nas próximas semanas.