quinta-feira, junho 4, 2026

Libertação de presos políticos na Venezuela: 11 opositores soltos neste domingo e 383 libertados desde 8 de janeiro, Juan Pablo Guanipa e Perkins Rocha recuperam a liberdade

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Processo de solturas avança entre críticas por lentidão, aliados de María Corina Machado celebram, e ONGs pedem liberdade plena para presos políticos na Venezuela

Um grupo de opositores venezuelanos deixou prisões neste domingo, em mais um capítulo do processo de libertações iniciado pelo governo interino em janeiro.

Entre os soltos estão figuras próximas da líder opositora María Corina Machado, o que reacende debates sobre anistia, pressão internacional, e a continuidade das medidas.

As organizações de direitos humanos e familiares continuam cobrando a liberação total de detidos por motivações políticas, conforme informação divulgada pelo g1

Quem foi liberado e números oficiais

Segundo o grupo direitos humanos Foro Penal, 11 presos políticos foram libertados neste domingo. A organização já havia confirmado que 383 presos políticos foram libertados desde que o governo venezuelano anunciou, em 8 de janeiro, que iniciaria uma nova série de libertações.

Entre os libertados estão Juan Pablo Guanipa, 61 anos, e o advogado e coordenador político da oposição Perkins Rocha. Guanipa estava detido desde 23 de maio de 2025, e Perkins Rocha havia sido preso em 27 de agosto de 2024.

Detalhes do caso de Juan Pablo Guanipa

Guanipa, vice-presidente do Parlamento em mandato anterior, foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio. Ele passou meses foragido, e sua última aparição pública foi em 9 de janeiro de 2025, quando acompanhou Corina Machado em um ato contra a posse de Maduro após as eleições de 28 de julho de 2024.

O filho do opositor, Ramón Guanipa, anunciou a soltura nas redes sociais, escrevendo, “Anuncio que meu pai foi solto há alguns minutos. Depois de mais de oito meses de uma prisão injusta, e de mais de um ano e meio separados, toda a nossa família poderá voltar a se abraçar em breve”.

Em vídeo publicado em sua conta no X, o próprio Juan Pablo declarou, “Aqui estamos, saindo em liberdade depois de um ano e meio”, e acrescentou, “Dez meses escondidos, quase nove meses aqui detido. Hoje estamos livres. Muito o que falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro lugar.”

Reações da oposição, familiares e ONGs

María Corina Machado comemorou a libertação de Guanipa, publicando, “Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!”

Apesar das solturas, familiares e organizações denunciaram a lentidão do processo anunciado pelo governo interino, que atua sob pressão dos Estados Unidos. Há críticas de que as liberdades são parciais, condicionadas, e que muitos casos seguem abertos.

Ramón também alertou para a permanência de prisões políticas, afirmando, “Ainda há centenas de venezuelanos presos injustamente. Exigimos a libertação imediata, plena e incondicional de TODOS os presos políticos”.

Contexto político e próximos passos

As liberações ocorrem pouco antes de o Parlamento votar uma lei de anistia geral, proposta pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, segundo relato da cobertura original.

O ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, exilado em Madri, pediu, após a soltura de Guanipa, “a liberdade plena e imediata de todas as pessoas presas por razões políticas”. Ele alertou que saídas condicionadas não representam fim da perseguição.

Analistas e ONGs continuam acompanhando os desdobramentos, observando se as libertações evoluirão para uma anistia ampla, e se medidas restritivas, vigilância e processos judiciais serão encerrados de forma definitiva.

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