quinta-feira, junho 4, 2026

A Incrível Jornada de Thomas Stevens: O Primeiro Homem a Dar a Volta ao Mundo de Bicicleta nos Anos 1880

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A Volta ao Mundo de Bicicleta: A Pioneira Aventura de Thomas Stevens nos Anos 1880

Mais de uma década após Júlio Verne encantar o mundo com “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, um inglês decidiu transformar a ficção em realidade, mas com um meio de transporte bem peculiar: a bicicleta. Thomas Stevens protagonizou uma jornada épica, tornando-se o primeiro homem a circundar o globo sobre duas rodas.

Sua odisseia, que se estendeu por mais de dois anos, começou em 1884, muito antes das bicicletas modernas. Stevens pedalou por milhares de quilômetros, atravessando continentes e culturas diversas, e documentou cada passo em um livro que cativou leitores ao redor do mundo.

A aventura de Stevens não foi apenas um feito físico, mas também um registro histórico e cultural de uma época em que o ciclismo começava a ganhar espaço. Conforme divulgado pelo G1, sua viagem é um marco na história das explorações e na popularização do ciclismo.

O Início da Jornada: Cruzando a América em uma Penny-Farthing

Nascido na Inglaterra, Thomas Stevens mudou-se para os Estados Unidos em 1871. Ele não era um atleta profissional, mas possuía um profundo apreço pelo ciclismo, um passatempo que na época era considerado mais um hobby da aristocracia do que uma atividade esportiva popular.

O objetivo inicial de Stevens era ambicioso: atravessar o subcontinente norte-americano de bicicleta. Ele partiu de São Francisco, na costa oeste, e chegou a Boston, na costa leste, em um período de cinco meses. Essa façanha chamou a atenção de uma revista de ciclismo da época, que lhe ofereceu patrocínio para expandir sua aventura.

Com o apoio recebido, Stevens decidiu que seu objetivo seria dar a volta ao mundo. Em abril de 1884, ele embarcou em um navio em Chicago com destino à Inglaterra. Sua bicicleta, um modelo conhecido como “penny-farthing” com uma roda dianteira desproporcionalmente grande e uma traseira menor, era seu único companheiro em muitos trechos.

Stevens carregava consigo apenas o essencial: algumas roupas íntimas, uma arma, um poncho que servia como abrigo improvisado e um pneu sobressalente. Essa simplicidade era parte do charme e da audácia de sua jornada, que se tornaria lendária.

Encontros e Descobertas em Istambul e pelo Oriente

Ao chegar a Istambul no verão de 1885, Stevens descreveu a cidade como um dos centros mais cosmopolitas do mundo, impressionado com a diversidade de seus habitantes e costumes. Ele passou o mês do Ramadã na cidade, observando atentamente a vida noturna e a arquitetura otomana.

O viajante registrou sua admiração pela mesquita de Santa Sofia, pelo Grand Bazaar e pela beleza das iluminações festivas entre os minaretes. Stevens também teve um breve vislumbre do sultão Abdul Hamid 2º, uma figura histórica complexa da Turquia.

Em seu percurso pela Anatólia Central, Stevens encontrou um acampamento nômade curdo, onde foi recebido com notável generosidade. Ele descreveu o líder do grupo como um “xeique digno” e relatou a hospitalidade recebida, incluindo uma cama preparada sem que ele tivesse sequer solicitado.

No Irã, Stevens foi recebido pelo xá Naser al-Din e visitou as antigas Torres do Silêncio zoroastristas, remanescentes de uma antiga religião. Sua jornada o levou também pela Índia, onde se maravilhou com o Taj Mahal, e pela China, antes de finalmente chegar ao Japão.

O Destino Final e o Legado de um Pioneiro

Em Yokohama, no Japão, Thomas Stevens encontrou os moradores que descreveu como “de maneiras refinadas” e “alegres”, considerando-os um dos povos mais próximos de “resolver o problema de viver feliz”. Foi ali que, em 1886, ele concluiu sua épica viagem de dois anos e oito meses.

Segundo seus próprios cálculos, Stevens percorreu cerca de **22.000 km de bicicleta**, um feito que o consagra como a primeira pessoa a dar a volta ao mundo pedalando. Suas experiências foram compiladas em seu livro “Around the World on a Bicycle”, publicado em 1887.

Embora Stevens descrevesse suas experiências com admiração, seus relatos também refletiam os clichês e o “efeito do orientalismo” da era vitoriana, classificando algumas culturas como “semicivilizadas”. No entanto, o escritor Robert Isenberg sugere que a perspectiva de Stevens evoluiu ao longo da jornada, culminando em uma admiração genuína por feitos como o Taj Mahal.

O legado de Thomas Stevens transcende sua façanha pessoal. Ele inspirou outros aventureiros e, segundo o escritor turco Aydan Çelik, contribuiu decisivamente para a **popularização das viagens sobre duas rodas**, impulsionando o que muitos chamam de “revolução da bicicleta”.

A Revolução da Bicicleta: O Impacto Duradouro de Stevens

A coragem e a determinação de Thomas Stevens em completar a **volta ao mundo de bicicleta** não apenas abriram novos horizontes para a exploração, mas também moldaram a percepção do público sobre o ciclismo. Sua aventura, documentada em detalhes, serviu como um chamado para a ação e despertou o interesse de muitos em explorar o mundo de uma maneira mais íntima e desafiadora.

O livro de Stevens, “Around the World on a Bicycle”, tornou-se um best-seller, influenciando a forma como as pessoas viam o mundo e as possibilidades que o ciclismo oferecia. Ele demonstrou que era possível ir além das convenções e que a **bicicleta** era um veículo poderoso para a descoberta e a conexão humana.

A jornada de Stevens é um testemunho do espírito aventureiro e da capacidade humana de superar limites. Sua história continua a inspirar ciclistas e exploradores, provando que a **volta ao mundo de bicicleta** é uma aventura acessível e transformadora, ainda que desafiadora.

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